Bruxelas pede maior compromisso às plataformas no combate à desinformação

A Comissão Europeia "tomou nota" dos "progressos" da Google, Facebook e Twitter na guerra contra as fake news. Mas quer mais medidas antes das eleições europeias.

O Facebook deverá lançar ainda este mês um arquivo de anúncios políticos, ao abrigo de um acordo assinado com a Comissão Europeia.David Paul Morris/Bloomberg

A Comissão Europeia vê “progressos” na adoção de medidas de combate à desinformação por parte das plataformas eletrónicas. No entanto, Bruxelas quer que a Google, o Facebook e o Twitter se comprometam a ir mais longe, a tempo das eleições europeias marcadas para 26 de maio.

Responsáveis das três empresas norte-americanas reuniram esta terça-feira com representantes da Comissão Europeia, onde apresentaram os últimos desenvolvimentos na guerra contra as chamadas fake news.

“A reunião de ontem [terça-feira] e os relatórios publicados hoje [quarta-feira] mostram que as plataformas online estão a fazer progressos”, disseram os comissários Andrus Asip, Věra Jourová, Julian King e Mariya Gabriel, em comunicado conjunto. Google, Facebook e Twitter estão obrigadas a fazer este reporte mensal, ao abrigo do Código de Práticas contra a desinformação, da qual são signatárias.

Apesar desta evolução, Bruxelas quer levar as plataformas a um maior compromisso nesta matéria. “Encorajamos as plataformas a trabalharem com investigadores e fact checkers no acesso a informação em direto nas páginas públicas, nas transmissões e noutros serviços”, disseram os comissários. A recomendação vai ao encontro de medidas semelhantes adotadas por estas empresas no mercado norte-americano.

Segundo a Bruxelas, “são necessários esforços adicionais” para garantir que se verificarão avanços noutras áreas críticas. E isso também passa por melhorias no reporte “sistemático” que é feito à Comissão. É um trabalho executado a contrarrelógio, depois das informações que apontam para interferências externas nas eleições presidenciais nos EUA através de propaganda nas redes sociais e, mais recentemente, nas presidenciais do Brasil, através de desinformação na aplicação WhatsApp, detida pelo grupo Facebook.

Uma das medidas que está a ser adotada pela rede social fundada por Mark Zuckerberg é a criação de um arquivo com todos os anúncios políticos. Estes anúncios associados à campanha eleitoral ficarão guardados durante sete anos, para efeitos de pesquisa, investigação e como forma de promoção da transparência. Segundo o comunicado da Comissão Europeia, responsáveis do Facebook prometeram esta terça-feira que o arquivo vai ser lançado ainda este mês de março.

No caso da Google, que foi alvo de uma multa de Bruxelas quarta-feira por abuso de posição dominante, a Comissão Europeia foi informada de que os anunciantes políticos vão ter de ser previamente certificados pela empresa antes de poderem fazer publicidade nas plataformas geridas pela multinacional. Medida semelhante foi tomada pelo Twitter. As três plataformas vão voltar a reportar evoluções nestas vertentes em meados de abril.

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