Lucro da REN cai para 115 milhões de euros. Pagamento da CESE penaliza

A energética encerrou o ano passado com uma quebra de 8% nos lucros, um desempenho que se deveu, em parte, "ao pagamento pelo quinto ano consecutivo da CESE".

Os lucros da REN – Rede Energéticas Nacionais desceram 8% para 115,7 milhões de euros no final do ano passado, um valor que compara com os 125,9 milhões registados no final de 2017, anunciou a energética liderada por Rodrigo Costa esta quinta-feira. A contribuir para esta queda estiveram, entre outros, o pagamento da contribuição extraordinária sobre o setor energético (CESE).

No final do ano passado, a REN obteve um resultado líquido de 115,7 milhões de euros, o equivalente a uma descida de 8,1% face a 2017, referiu a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Já contávamos com isso, mas em nada altera os nossos objetivos estratégicos. Vamos procurar oportunidades de crescimento que ajudem a compensar [esta descida]”, disse o CEO, durante um encontro com jornalistas esta quinta-feira.

No mesmo comunicado, a empresa refere que este desempenho foi “penalizado pelo aumento das Amortizações e dos Impostos, mas principalmente pelo pagamento — pelo quinto ano consecutivo — da CESE”.

Nos últimos cinco anos, “o total de pagamentos relativos à CESE ascendeu a 127,5 milhões de euros”. “A CESE continua a ser um tema importante com um impacto bastante negativo nas nossas contas. Mantemos a nossa filosofia, estamos a pagar e todos os anos temos pago, mas mantemos a nossa contestação nos tribunais“, referiu Rodrigo Costa. “Achamos que temos razão e é uma questão de nos ser dada razão, ou não. Não temos de nos preocupar com o que fazemos. Acreditamos que temos algumas hipóteses de nos ser dada razão, mas não nos compete a nós decidir“, acrescentou.

"A CESE continua a ser um tema importante com um impacto bastante negativo nas nossas contas. Acreditamos que temos algumas hipóteses de nos ser dada razão [nos tribunais], mas não nos compete a nós decidir.”

Rodrigo Costa

CEO da REN

Contrariando o desempenho do resultado líquido, o resultado financeiro melhorou para os 57,8 milhões de euros, um aumento que beneficiou da redução do custo médio da dívida (2,2% que compararam com os 2,5% de 2017) e do decréscimo da dívida líquida para os 2.653,1 milhões de euros.

Já o EBITDA subiu 1% face a 2017, ascendendo a 492,3 milhões de euros, “devido, sobretudo, à consolidação da Portgás (34,2 milhões de euros)”. Adicionalmente, refere a energética, destacou-se ainda a “contribuição positiva” da venda do negócio de GPL (3,7 milhões de euros) e o resultado da Electrogas. Contudo, o EBITDA foi afetado pela redução da remuneração dos ativos.

Apesar desta queda dos lucros, a operadora da rede elétrica optou por não mexer no dividendo que pretende distribuir. Vai propor na próxima assembleia de acionistas o pagamento de um dividendo de 17,1 cêntimos por ação, “em linha com a política de dividendos anunciada no último Capital Markets Day da REN”.

(Notícia atualizada às 17h30 com mais informação)

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