Governo coloca fasquia da dívida pública nos 100% na próxima legislatura

“A dívida portuguesa poderá atingir os 100% do PIB no final da próxima legislatura.” A frase é do secretário de Estado Adjunto e das Finanças, em entrevista ao ECO.

Ricardo Mourinho Félix antecipa, em entrevista ao ECO, o resultado da descida acentuada dos juros da dívida pública portuguesa e aponta para uma redução do rácio de endividamento face ao PIB para a barreira psicológica dos 100% já na próxima legislatura.

“Se mantivermos uma política financeira responsável, como temos feito nos últimos anos, a dívida portuguesa poderá atingir os 100% do PIB no final da próxima legislatura. A redução da dívida pública é fundamental para melhorar as perspetivas de bem-estar das gerações futuras”, afirma o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, numa entrevista por escrito ao ECO.

No Programa de Estabilidade que deu a conhecer no ano passado, o Governo apresentou metas para o período de 2018 a 2022, prevendo que no final desse prazo a dívida pública caia para 102% do PIB. No próximo mês, Mário Centeno e Ricardo Mourinho Félix vão apresentar Programa de Estabilidade para o período de 2019 a 2023, ou seja, com metas para a próxima legislatura.

Metas do Programa de Estabilidade

Caso o Ministério das Finanças assuma perante Bruxelas este compromisso, e caso o próximo Governo o consiga cumprir, será a primeira vez desde 2010 que o endividamento português poderá cair para perto ou abaixo da barreira dos 100%. Em 2010, o rácio da dívida pública terminou o ano nos 96,2% e em 2011, o primeiro ano da troika, a dívida deu um salto para 111,4%, tendo atingido um pico em 2014, nos 130,6%.

"Se mantivermos uma política financeira responsável, como temos feito nos últimos anos, a dívida portuguesa poderá atingir os 100% do PIB no final da próxima legislatura.”

Ricardo Mourinho Félix

Secretário de Estado Adjunto e das Finanças

O Conselho das Finanças Públicas fez recentemente uma análise à economia portuguesa com metas até 2023 (num cenário de políticas invariantes) e apontava para um rácio da dívida sobre o PIB no final da próxima legislatura de 104,1%, um valor acima dos 100% avançados agora por Ricardo Mourinho Félix ao ECO.

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