Montepio emite 100 milhões em dívida. Paga taxa de 10,5%

O Banco Montepio conseguiu obter 100 milhões de euros em dívida subordinada. A procura superou a oferta, mas a taxa ficou nos 10,5%.

O Banco Montepio foi ao mercado para tentar obter um financiamento de 100 milhões de euros em títulos de dívida subordinada, que conta para rácios de capital. Conseguiu o montante pretendido, com a procura a superar a oferta. A taxa de juro foi, segundo a Bloomberg, de 10,5%.

A instituição realizou nas últimas semanas um roadshow para sondar o apetite do mercado, isto depois de não ter concretizado uma emissão de dívida subordinada no final do ano passado no valor de 150 milhões de euros, que obrigou a acionista Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) a injetar 50 milhões de euros já nos últimos dias de 2018, como avançou o ECO em primeira mão.

Desta vez, o banco liderado por Dulce Mota conseguiu obter o montante pretendido em títulos subordinados e a contar para capital Tier 2. São títulos desenhados para que, caso o rácio de capital de um banco desça abaixo de determinado nível, sejam convertidos em capital do banco ou totalmente destinados a repor eventuais perdas, embora tenham um grau de subordinação inferior aos títulos AT1. Embora os títulos tenham a maturidade a 10 anos, o Banco Montepio poderá resgatá-los ao final dos cinco anos.

De acordo com a Bloomberg, que cita fonte próxima da operação, a oferta gerou interesse, tendo-se registado uma procura superior ao montante pretendido. Houve, contudo, ordens de 80 milhões de euros colocadas por partes relacionadas, diz a Bloomberg. Poderá ter sido a AMMG a colocá-las.

Apesar da procura elevada, o banco vai ter de pagar uma taxa de juro de 10,5%. Há um ano o Novo Banco realizou uma emissão de 400 milhões de euros em títulos AT2 a um juro de 8,5%.

O Banco Montepio fechou 2018 com lucros de 12,6 milhões de euros, quase duplicando face ao ano anterior. Ainda assim, o resultado foi penalizado por vários fatores não recorrentes, como a multa de 2,5 milhões de euros aplicada pelo Banco de Portugal. Recentemente, o banco indicou que já cumpria, no final do ano passado, os rácios de capital exigidos pelo supervisor português para 2019.

(Notícia atualizada às 19h15 com dados finais da operação)

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