Brexit sem acordo retira 3% ao PIB do Reino Unido, diz o FMI

Aumento dos custos das exportações e diminuição da população ativa devido a maiores restrições na política de imigração tiram 3,5% ao PIB britânico até 2021 e quase 3% no longo prazo.

Se o Reino Unido abandonar a União Europeia sem um acordo a economia britânica deverá encolher cerca de 3,5% até 2021 e perder cerca de 3% do PIB no longo prazo, estima o Fundo Monetário Internacional (FMI), em resultado de um aumento dos custos das trocas comerciais com a União Europeia e de uma política de imigração mais restritiva que fará encolher a população ativa no Reino Unido. O impacto estimado na economia da União Europeia é inferior a 0,5% do PIB.

Numa altura em que o cenário de uma Brexit sem qualquer tipo de acordo começa a parecer o caminho mais provável, o FMI decidiu fazer uma nova estimativa para os custos da decisão tomada pelos eleitores britânicos no referendo de junho de 2016. A conclusão não é nova: quem perde mais é o Reino Unido, mas a União Europeia também perde. Já as contas sobre o impacto concreto na economia são mais negativas.

Na atualização do World Economic Outlook, que publica esta terça-feira, o FMI estima que o impacto na economia de um Brexit sem acordo seria de cerca de 3,5% do PIB até ao ano de 2021, assumindo que as trocas comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia se fariam à luz das regras — e das taxas — da Organização Mundial do Comércio. No longo prazo, a economia britânica manteria uma queda de cerca de 3% face aos níveis anteriores à saída do bloco europeu.

O impacto na União Europeia seria significativamente menor. Nas contas do FMI, a economia europeia perderia apenas 0,5% do seu valor, tanto no valor acumulado até 2021, como no longo prazo. Em parte, esta diferença é explicada pelo efeito positivo que teria na economia europeia o aumento da população ativa, resultado dos emigrantes que ficariam pelo espaço europeu num cenário de maior restritividade das politicas de imigração britânicas.

No entanto, o FMI alerta que o impacto total da decisão do Reino Unido deverá ser maior porque parte dos custos já estão incluídos no cenário base do FMI — que revê em baixa o crescimento esperado para este ano em três décimas, esperando agora um abrandamento para os 1,2% do PIB — e também porque há efeitos que não consegue ainda prever na economia, dependendo das decisões que serão tomadas pelos decisores britânicos.

Além do impacto na economia britânica, o Fundo deixa ainda um alerta para a União Europeia, dizendo que o impacto estimado de 0,5% na economia europeia como um todo esconde o impacto em cada um dos países, que pode ser maior ou menor consoante a relação comercial que tenham com a economia britânica. No caso de Portugal, por exemplo, o Reino Unido é o quarto maior parceiro comercial da economia nacional, atrás de Espanha, França e Alemanha.

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