“Portugal não está inteiramente protegido” do Brexit, diz Christine Largarde

  • ECO
  • 4 Abril 2019

Para a diretora do Fundo Monetário Internacional, Portugal é um dos países que não está totalmente protegido das consequências negativas do Brexit.

Neste vai e não vai do divórcio mais mediático do momento, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que Portugal é dos países que não está a salvo de sofrer consequências. Em entrevista à RTP, Christine Lagarde explica que o país é um importante parceiro comercial do Reino Unido e que a vinda dos residentes britânicos, na maioria reformados, é “uma questão grave”.

Temos várias nuvens, não é a única [o Brexit], mas é certamente a mais urgente e da qual se espera uma resolução, esperemos, no mais curto espaço de tempo”, começou por dizer a diretora do FMI, quando questionada sobre a “nuvem” que o Brexit representa. “Quanto mais depressa for resolvido, menos incerteza teremos. E quanto mais amigável for o acordo, e mais eficaz for o período de transição, menos riscos se materializarão para a totalidade do Reino Unido, da União Europeia (UE) e, certamente, para Portugal”.

A avaliação do FMI é que “haverá más consequências porque quaisquer restrições ou fricções adicionais em termos de comércio, bens ou serviços, movimento de pessoas ou capitais. Será pior do que a situação atual”. E o grau dessas consequências irá depender “do tipo de desfecho alcançado”. Mas, uma coisa é certa, disse Lagarde, “para o Reino Unido irá haver uma redução do crescimento e a médio prazo”.

Já na UE, esse impacto dependerá da “quantidade de comércio e trocas que haverá entre o Reino Unido e os membros da Europa”. Será na Irlanda onde se notarão as “consequências mais graves” e em “países com muito comércio, como a Holanda, por exemplo”.

Relativamente a Portugal, nem tudo é positivo. “Portugal não está inteiramente protegido porque há muito comércio entre Portugal e o Reino Unido e têm uma grande atividade de serviços, que é o turismo, amplamente aberto ao Reino Unido”, explicou. “Um bom amigo meu dizia ‘tenham receio do regresso dos vossos sogros’. Imagina se todos os reformados do Reino Unido que vivem em Portugal, tivessem agora de voltar para o Reino Unido… Os sogros voltariam…”. E isso, completou, “em termos económicos, é uma questão grave”.

“Não prevemos uma recessão”

Poderá um hard Brexit levar a uma recessão? “Não prevemos uma recessão, nem em termos globais, nem na UE. Mas é claro que quantas mais nuvens se abrirem, mais riscos se materializam, menos otimistas estaremos e reveremos mais em baixa as nossas previsões”, respondeu a diretora do FMI.

Há algum otimismo de momento no setor do comércio porque as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China estão claramente a ser resolvidas, mas ainda estamos para ver o sucesso, satisfação e brevidade. Mas há progressos em perspetiva”, continuou.

Mas, no caso de haver mesmo um Brexit sem acordo, o FMI está disponível para ajudar todos os membros. “Estamos a postos para ajudar todos os nossos membros, a qualquer momento. Mas penso que o melhor para eles é serem eles a ajudarem-se a si próprios escolhendo a solução menos danosa e mais consensual com a UE. (…) Esperemos que tomem a decisão certa. Seria o melhor. Mas estamos a postos para ajudar toda a gente”, rematou.

(Notícia atualizada às 22h09 com mais informação)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Portugal não está inteiramente protegido” do Brexit, diz Christine Largarde

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião