Julian Assange, o hacker que embaraçou líderes mundiais

  • Lusa
  • 11 Abril 2019

Enigmático e perseverante, Assange fez da luta pela transparência dos Estados e da liberdade informática as suas bandeiras, conquistando tanto apoiantes como inimigos. 

Julian Assange, fundador do WikiLeaks.Cancillería del Ecuador/Wikimedia Commons

Julian Assange, o fundador da WikiLeaks, foi detido na embaixada do Equador em Londres, depois de quase sete anos a fugir da justiça e que aproveitou para promover naquele portal a divulgação de informações confidenciais.

Desde a sua detenção em 2010 no Reino Unido, a pedido da Suécia, o perito informático passou mais de um ano em prisão domiciliária e em junho de 2012 refugiou-se na embaixada equatoriana na capital inglesa, que lhe ofereceu asilo para evitar a extradição para o país escandinavo.

Apesar de a Suécia ter arquivado o caso que o tinha levado a refugiar-se na representação diplomática equatoriana, Assange permaneceu naquelas instalações para evitar a detenção por parte das autoridades britânicas — por ter violado a liberdade condicional –, e por recear ser extraditado para os Estados Unidos. Depois de meses de tensas negociações internas, a proteção de Quito chegou hoje ao fim.

Durante o tempo que passou na embaixada e enquanto o Equador não o impediu, o hacker de 47 anos, com a saúde cada vez mais deteriorada pela falta de sol e de exercício físico, continuou comprometido com a sua causa e difundiu, com ajuda de uma fiel equipa, informações confidenciais de Estados, empresas e organismos. Não se começa a administrar uma empresa como a WikiLeaks “se fores do tipo de pessoa que se rende”, disse Assange nos primeiros anos passados na embaixada.

O refúgio na embaixada ocorreu depois de ter perdido o julgamento no Reino Unido que ditava a extradição para a Suécia, em que os escandinavos o queriam interrogar por alegados crimes sexuais cuja autoria sempre negou e dos quais nunca foi acusado.

O que mais teme, desde sempre, é ser detido por um país aliado que o entregue aos Estados Unidos, onde acredita que enfrentará a pena de morte, pela disseminação, em 2010, de centenas de milhar de telegramas diplomáticos confidenciais do Governo americano — expostos pela militar Chelsea Manning, condenada a 35 anos de prisão, pena entretanto comutada pelo ex-Presidente norte-americano Barack Obama. A revelação dessas mensagens, com a ajuda de vários jornais, colocou em sentido os Governos de todo o mundo e acredita-se que tenham inspirado as revoltas nos países árabes.

Enigmático e perseverante, Assange fez da luta pela transparência dos Estados e da liberdade informática as suas bandeiras, conquistando tanto apoiantes como inimigos. Nascido em Townsville, na Austrália, a 3 de julho de 1971, a sua figura, de tez pálida e cabelo distintivamente branco, é um mistério até para os seus colaboradores, que o descrevem como carismático e inteligente, mas imprevisível.

O informático, que alegadamente passa horas a trabalhar sem tomar banho, comer ou dormir, teve uma infância nómada na Austrália, onde a sua mãe, a artista Christine Ann, mudava constantemente de casa, de forma a fugir do pai do irmão mais novo de Assange.

Na juventude, foi acusado nesse país por delitos informáticos por aceder, com o seu grupo International Subversives, a sistemas protegidos de organismos oficiais, mas saiu vitorioso com uma mera multa, com o juiz a considerar que as suas ações correspondiam a curiosidade e não a fins criminais.

Ainda adolescente, casou-se com a rapariga com quem, em 1989, teve um filho, Daniel Assange, agora designer de software, e cuja custódia partilham depois de se terem separado.

Em meados dos anos 1990, Assange trabalhou como programador de software livre, em programas de encriptação para o sistema Linux, e colaborou no livro Undergrand: Tales of Hacking, Madness and Obssession on the Electronic Frontier, de Suelette Dreyfuss (1997), no qual expôs a sua filosofia de não prejudicar os sistemas de computador aos quais acedia.

Depois de estudar matemática e física na Universidade de Melbourne, apesar de não se ter licenciado, cofundou, em 2006, o portal WikiLeaks, com a missão de expor informação governamental que, na sua opinião, deveria estar ao alcance de cidadãos. Saltou para a esfera pública quando, em abril de 2010, a WikiLeaks difundiu um vídeo polémico em que soldados americanos disparavam contra civis no Iraque, em 2007, e, posteriormente, os 250 mil telegramas diplomáticos.

Durante os últimos anos não hesitou em enfrentar os grandes poderes para cumprir o objetivo de difundir segredos obscuros, enquanto denunciou uma perseguição dos EUA e dos seus aliados na Suécia para o silenciar. Com esta nova mudança na sua vida, Assange enfrenta uma vez mais um futuro incerto, embora as suas façanhas já façam parte da história.

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