Fundador do WikiLeaks detido em Londres. Arrisca ser extraditado para os EUA

Julian Assange foi detido em Londres esta quinta-feira. A embaixada do Equador retirou-lhe o estatuto de asilo político e convidou a polícia britânica a deter o fundador do WikiLeaks.

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, momentos depois da detenção.

As autoridades britânicas detiveram Julian Assange esta quinta-feira, depois de o Governo do Equador ter retirado o estatuto de asilado político ao fundador do site WikiLeaks. O australiano vivia há sete anos na embaixada equatoriana em Londres e arrisca, agora, ser extraditado para os Estados Unidos.

A polícia metropolitana de Londres entrou na embaixada do Equador esta quinta-feira, a convite do próprio embaixador, e deteve Assange ao abrigo de um mandato de captura emitido pela Justiça britânica. Assange foi levado para a estação central da polícia na capital britânica, onde lhe foi apresentado o pedido de extradição internacional por parte dos Estados Unidos.

Pouco depois da detenção, o Departamento de Justiça norte-americano acusou formalmente Julian Assange de conspiração para invasão informática de sistemas oficiais e confidenciais norte-americanos. Num comunicado, as autoridades explicam que a acusação está relacionada com “o papel de Assange numa das maiores fugas de informação da história dos Estados Unidos”. Pode enfrentar até cinco anos de prisão, lê-se na mesma nota.

Num vídeo divulgado no Twitter, o Presidente da República do Equador, Lenín Moreno, explicou que “deixou de ser viável” dar refúgio a Julian Assange na embaixada do Equador, devido a sucessivas violações das convenções internacionais por parte do fundador do WikiLeaks.

O chefe de Estado do Equador fala em alguns casos concretos, acusando Assange de ter maltratado seguranças e invadido os próprios sistemas informáticos da embaixada. A gota de água terá sido a publicação no site WikiLeaks de documentos confidenciais do Vaticano em janeiro deste ano.

Durante sete anos, o asilo político permitiu a Julian Assange evitar a detenção e extradição para os Estados Unidos. Depois da detenção, o fundador do WikiLeaks foi colocado frente a frente com os juízes do Tribunal de Magistrados de Westminster, onde foi condenado por ter violado o acordo de liberdade condicional no Reino Unido.

O caso em torno de Julian Assange remonta a meados de 2010, altura em que enfrentou alegações de conduta sexual imprópria por duas mulheres, delitos que teriam sido cometidos durante uma viagem a Estocolmo. Na sequência de uma investigação por parte das autoridades suecas, foi emitido um mandato de extradição europeu. No início de dezembro de 2010, Assange foi detido em Londres e esteve dez dias numa prisão no Reino Unido. Foi depois colocado em prisão domiciliária, onde permaneceu durante 550 dias.

Durante esse período, Assange pediu asilo político à República do Equador, com receio de que, se fosse extraditado para a Suécia, acabaria também por ser extraditado para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações de espionagem, devido às informações confidenciais que foram publicadas no site WikiLeaks. O pedido foi aceite em 2012 e, desde então, Assange vivia refugiado na embaixada equatoriana na capital do Reino Unido.

Em maio de 2017, as autoridades suecas deixaram cair o processo por alegadas violações. Mas ainda pendia sob Assange um mandato de detenção por parte da Justiça britânica, devido ao facto de o fundador do WikiLeaks não se ter entregado às autoridades em 2012. É ao abrigo deste mandato que Assange foi detido esta quinta-feira.

(Notícia atualizada às 15h16 com mais informações)

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