Exportações longe de 50% do PIB na próxima legislatura
Dados do Programa de Estabilidade permitem ver que até 2023 as exportações não atingem a meta de 50% do PIB: Governo tinha traçado este objetivo para a próxima década.
O Governo tinha como meta que as exportações chegassem a 50% do PIB na próxima década, mas o Programa de Estabilidade que o Executivo apresentou esta segunda-feira mostra que, pelo menos, até 2023 a economia portuguesa não conseguirá esse feito.
No entanto, a conjuntura económica internacional piorou. No Programa de Estabilidade, o Governo reviu em baixa a procura externa dirigida à economia para este ano de 4,2% para 3,3% em 2019. Para os próximos anos também há revisões em baixa, mas não tão acentuadas.
Conclusão: as exportações apresentam um crescimento mais contido. O Programa de Estabilidade mostra que as vendas de bens e serviços para o exterior crescem 3,8% este ano e no próximo, 3,7% em 2021 e 3,9% em cada um dos anos seguintes.
Tendo em conta a evolução do PIB nominal que o Governo prevê, as exportações não saem dos 43% do PIB. Ainda bem longe da meta traçada para Portugal dos 50%.
A dificuldade em torno da evolução das exportações foi bem evidente das declarações do secretário de Estado da Internacionalização que esta segunda-feira revelou que há “muito trabalho a fazer” para atingir a meta definida pelo Governo.
Para chegar aos 50% do PIB do país, Eurico Brilhante Dias diz ser necessário “continuar a fazer das exportações um dos motores fundamentais do crescimento económico em Portugal” e aponta que, no futuro próximo, as exportações “terão de continuar a crescer 2 a 2,5% acima do crescimento do PIB”, citado pela agência Lusa.
O cenário macroeconómico para a próxima legislatura revela que o motor do crescimento para Portugal continuará a vir da procura interna. A procura externa líquida (que mede a diferença entre as exportações e as importações) apresenta contributos negativos durante todo o horizonte de projeção, com as importações a crescerem em alguns anos acima das exportações.
Apesar disso, o Governo não espera que a balança comercial entre em terreno negativo. No cenário macroeconómico, o Ministério das Finanças vê o saldo da balança comercial sempre em 0,2% do PIB. Nas últimas previsões, o Banco de Portugal projetou que em 2020 a balança comercial entre em terreno negativo pela primeira vez em nove anos
Contribua. A sua contribuição faz a diferença
Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.
A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.
É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.
De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,
Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.
António Costa
Publisher do ECO
Comentários ({{ total }})
Exportações longe de 50% do PIB na próxima legislatura
{{ noCommentsLabel }}