Exportações longe de 50% do PIB na próxima legislatura

Dados do Programa de Estabilidade permitem ver que até 2023 as exportações não atingem a meta de 50% do PIB: Governo tinha traçado este objetivo para a próxima década.

O Governo tinha como meta que as exportações chegassem a 50% do PIB na próxima década, mas o Programa de Estabilidade que o Executivo apresentou esta segunda-feira mostra que, pelo menos, até 2023 a economia portuguesa não conseguirá esse feito.

Em dezembro do ano passado, António Costa congratulou-se com a evolução das exportações nos últimos anos e fixou metas para os próximos anos. “Nos últimos anos temos tido um ciclo muito positivo do ponto de vista da internacionalização da nossa economia: Há dez anos as nossas exportações eram 27% do PIB, hoje já são 44% e a ambição que temos é podermos chegar na próxima década aos 50%”, disse o primeiro-ministro.

No entanto, a conjuntura económica internacional piorou. No Programa de Estabilidade, o Governo reviu em baixa a procura externa dirigida à economia para este ano de 4,2% para 3,3% em 2019. Para os próximos anos também há revisões em baixa, mas não tão acentuadas.

Conclusão: as exportações apresentam um crescimento mais contido. O Programa de Estabilidade mostra que as vendas de bens e serviços para o exterior crescem 3,8% este ano e no próximo, 3,7% em 2021 e 3,9% em cada um dos anos seguintes.

Tendo em conta a evolução do PIB nominal que o Governo prevê, as exportações não saem dos 43% do PIB. Ainda bem longe da meta traçada para Portugal dos 50%.

A dificuldade em torno da evolução das exportações foi bem evidente das declarações do secretário de Estado da Internacionalização que esta segunda-feira revelou que há “muito trabalho a fazer” para atingir a meta definida pelo Governo.

Para chegar aos 50% do PIB do país, Eurico Brilhante Dias diz ser necessário “continuar a fazer das exportações um dos motores fundamentais do crescimento económico em Portugal” e aponta que, no futuro próximo, as exportações “terão de continuar a crescer 2 a 2,5% acima do crescimento do PIB”, citado pela agência Lusa.

O cenário macroeconómico para a próxima legislatura revela que o motor do crescimento para Portugal continuará a vir da procura interna. A procura externa líquida (que mede a diferença entre as exportações e as importações) apresenta contributos negativos durante todo o horizonte de projeção, com as importações a crescerem em alguns anos acima das exportações.

Apesar disso, o Governo não espera que a balança comercial entre em terreno negativo. No cenário macroeconómico, o Ministério das Finanças vê o saldo da balança comercial sempre em 0,2% do PIB. Nas últimas previsões, o Banco de Portugal projetou que em 2020 a balança comercial entre em terreno negativo pela primeira vez em nove anos

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