Comissão de inquérito à CGD. Ex-diretor não se lembra de quem defendeu avanço de créditos a Berardo contra opinião da Direção-geral de Riscos

Ex-diretor do negócio de grandes empresas da CGD não se lembra de quem deu ordem de aprovação aos créditos a Joe Berardo contra as indicações da Direção-geral de Riscos do banco.

O ex-diretor de grandes empresas da Caixa Geral de Depósitos (CGD), José Pedro Cabral dos Santos, não se recorda de qual foi o administrador que defendeu o avanço da concessão de créditos de 350 milhões de euros à Fundação José Berardo contra a opinião expressa pela direção-geral de riscos do banco público. Esta direção-geral, na avaliação que fez ao negócio em 2007, manifestou-se contra a operação pela inexistência de um aval e pelas reduzidas garantias associadas ao mesmo. Mas o crédito avançou.

Presente na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, Cabral dos Santos explicou que, e “pelo que tenho de memória”, a operação acabou por ser aprovada por se ter considerado que “se podia prescindir do aval em função da qualidade das contas da Fundação José Berardo”. Contudo, e pressionado por Virgílio Macedo, deputado do PSD, o ex-diretor do banco não conseguiu precisar quem é que defendeu que se prescindisse do aval.

O deputado social-democrata recordou que nas reuniões que debateram este crédito a Berardo, em sede de Comissão Alargada de Crédito da CGD, estavam presentes, entre outros, Armando Vara, Francisco Bandeira, Santos Ferreira ou Celeste Cardona. “Destes nomes, lembra-se quem defendeu, de forma legítima, as operações?”

“Não me lembro”, respondeu José Pedro Cabral dos Santos.

Um pouco antes, o mesmo ex-diretor da Caixa Geral de Depósitos já tinha explicado que nem sempre cabia à sua direção emitir recomendações sobre operações que analisava, como foi o caso dos créditos a Joe Berardo. “Nas situações em que a Direção-geral de Empresas tinha uma atuação reativa — ou seja, análises a eventuais negócios a pedido dos clientes –, a única coisa que se fazia era emitir pareceres para que o conselho [alargado de crédito] decidisse”.

O antigo diretor do banco público, sublinhou igualmente que na altura não existia qualquer regra em vigor no banco que exigisse um rácio de cobertura de 120% em garantias, pelo que se considerou que o rácio de 105% era suficiente para ‘blindar’ a operação. “Mas o grande problema depois foi a queda brutal do título do BCP”, explicou.

O responsável lembrou aos deputados que dada a queda das ações do BCP compradas por Berardo, a CGD acabou por exigir 11 reforços de garantias ao empresário até junho de 2008, mas que o “acumular da desvalorização” destes títulos continuou, levando ao “primeiro incumprimento de juros da Fundação José Berardo em novembro de 2008”.

José Pedro Cabral dos Santos recusou ainda que o empresário Joe Berardo tenha tido acesso a qualquer tipo de tratamento privilegiado no banco. “Que eu conheça, a Metalgest e a Fundação nunca tiveram qualquer privilégio de tratamento na Caixa, muito menos à margem das regras”, apontou o ex-diretor na sua intervenção inicial. Contudo, e dada as operações que envolviam o empresário madeirense, Cabral dos Santos admitiu que este era um cliente que sempre teve grande atenção.

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