Fim da oferta não altera perfil de crédito da EDP, diz Moody’s

  • Lusa
  • 25 Abril 2019

A agência Moody's diz que o fim da OPA dos chineses à EDP não "altera a avaliação do perfil do crédito da EDP", que continuará a ter a CTG como investidores estratégico.

A Moody’s considerou, esta quinta-feira, que o fim da oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges (CTG) à EDP não altera o perfil de crédito da elétrica, que continuará a ter o grupo como “investidor estratégico de longo prazo”.

“O provável fim da oferta de compra da CTG não altera a nossa avaliação do perfil de crédito [da EDP]”, considera o vice-presidente senior da Moody’s Paul Marty, num comentário à decisão tomada pelos acionistas na quarta-feira em assembleia-geral de chumbar uma das condições indepensáveis à continuidade da oferta.

Na mesma nota, o responsável da Moody’s destaca que “com a CTG a confirmar que continuará a ser um investidor estratégico de longo prazo, independentemente do resultado da oferta, a EDP continuará a beneficiar da participação de 23,3% da CTG, que se mostrou favorável no passado”, permitindo a aquisição de participações minoritárias nos projetos renováveis da EDP.

Os acionistas da EDP chumbaram na quarta-feira a alteração dos estatutos para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital, pondo fim à OPA da CTG quase um ano depois de ter sido lançada. A proposta de desblindagem dos estatutos, que prevê acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital, foi chumbada com 56,60% do capital representado.

A introdução deste ponto na assembleia anual de acionistas foi proposta pelo fundo Elliott, que contestava a oferta sobre a EDP, e previa que, se a deliberação não obtivesse uma maioria qualificada de dois terços dos acionistas presentes na assembleia-geral anual, o limite de voto permanecesse em vigor.

Entretanto, na segunda-feira, a própria CTG veio esclarecer que se mantinham em vigor todas as condições da OPA, incluindo a desblindagem de estatutos, pelo que com o chumbo desta alteração dos estatutos, a operação não avança.

A OPA feita à EDP pela CTG, empresa estatal chinesa que já detém 23,27% da elétrica portuguesa, foi anunciada em maio de 2018 e previa uma contrapartida de 3,26 euros por ação, valor considerado baixo pela comissão executiva, liderada por António Mexia.

Na conferência de imprensa, no final da reunião de acionistas, António Mexia recusou comentar as votações relativas ao ponto que travou a oferta da CTG, realçando que “o voto é secreto”. “Acho que era claro quem era a favor da desblindagem [dos estatutos]. O voto é secreto”, declarou, adiantando que “quem queria defender a sua posição defendeu e os resultados são claros”, uma vez que a proposta precisava de ter 66% dos votos a favor.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fim da oferta não altera perfil de crédito da EDP, diz Moody’s

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião