E quando o diretor morre? INSEAD estudou impacto nas equipas

  • Ricardo Vieira
  • 27 Abril 2019

Responsabilidade social das empresas cresce e estratégia interna altera-se com a morte do diretor de uma empresa.

A morte de um diretor da empresa desencadeia uma consciencialização dos CEOs sobre sua própria mortalidade, levando-os a dar, novamente, prioridade à sua vida, o que tem implicações abrangentes para as empresas, revela um novo estudo da INSEAD.

“A morte de um colega é um lembrete para todos no local de trabalho (…) da inevitabilidade de sua própria morte”, diz Guoli Chen, autor do estudo e professor associado de estratégia da INSEAD, acrescentando que “é especialmente impactante quando a morte é súbita ou quando se trata de uma pessoa semelhante, porque reforça a ideia angustiante de que ‘poderia ter sido eu’”.

No mesmo artigo, o professor conclui que há uma associação entre a saliência da mortalidade (consciência de que um dia vai morrer) do CEO, desencadeada pela morte de um diretor da mesma empresa, bem como com a responsabilidade social da empresa, onde se incluem atividades que promovem o envolvimento da comunidade, preocupações ambientais e com direitos humanos.

Além do crescimento na responsabilidade social da empresa, esta pesquisa, que analisou 89 empresas nas quais um diretor faleceu, verificou que estes acontecimentos também estavam associados a uma diminuição no crescimento dos ativos da empresa.

Estas conclusões verificam-se com maior prevalência quando: a pessoa falecida era particularmente importante para o CEO, como o caso de um diretor que foi indicado durante o seu mandato, sugerindo uma conexão mais próxima entre o CEO e o diretor, e quando a morte foi repentina, situações em que CEOs saudáveis ficam mais propensos a se identificarem com colegas que não mostravam nenhum sinal de doença, explica a escola de negócios em comunicado.

Chen analisou como as pessoas enlutadas podem experimentar inicialmente algum grau de ansiedade da morte, o que se reflete numa diminuição na motivação e num desengajamento em relação às carreiras e ao estilo de vida anterior. Os CEOs que sofrem com essa ansiedade estarão, pelo menos a curto prazo, menos comprometidos com funções como o investimento no crescimento de ativos.

Mas, após um período mais traumático, explica o autor do estudo, o CEO pode expressar o desejo de apreciar melhor o tempo, reavaliar a natureza e o propósito da sua carreira, procurar um maior significado pessoal, e encontrar formas de dar um contributo mais duradouro à sociedade.

“Enquanto a sociedade e a comunidade empresarial esperam que os seus líderes sejam mais responsáveis pelas suas ações, o nosso estudo fornece uma perspetiva interessante sobre o que acontece quando CEOs e managers têm motivações intrínsecas para perceber que há aspetos mais importantes na vida do que o dinheiro”, refere Chen.

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