Renovação da frota da TAP trouxe poupança de 81 milhões em manutenção

Redução da idade da frota e transferência de aeronaves em locação financeira para locação operacional permitiu poupança de 42% nos gastos com manutenção em 2018. Poupança continua a crescer em 2019.

O investimento da TAP na renovação da frota tem permitido à companhia reduzir os custos associados à manutenção das suas aeronaves de forma significativa, tendo gasto menos 81 milhões de euros nesta rubrica ao longo de 2018, uma poupança que permitiu compensar parcialmente as elevadas perdas registadas pela empresa no ano passado — exercício em que registou prejuízos de 118 milhões, depois dos 21 milhões em lucro obtidos em 2017.

Segundo as contas da transportadora relativas a 2018, que vão esta segunda-feira ser votadas em assembleia-geral, este prejuízo teria sido bem mais elevado caso os custos com a manutenção da frota tivessem permanecido inalterados. Contudo, mostram os dados da companhia, aos 192,4 milhões de euros exigidos pela manutenção da sua frota em 2017, seguiram-se apenas 111,75 milhões em 2018, isto apesar do crescimento da frota.

No ano passado, a TAP viu a frota aumentar de 90 para 96 aeronaves, tendo aproveitado os investimentos na renovação da mesma para reduzir o total de aviões em locação financeira, de 25 para 16, incluindo um A330 e sete Embraer que viram os contratos de locação financeira terminar. Ao mesmo tempo, a companhia aumentou o total de aviões em locação operacional, de 57 para 65. A diferença é que nestes últimos a conservação e manutenção ficam a cargo do locador, pelo que esta foi uma das formas que a TAP encontrou para baixar a fatura global dos custos com a manutenção da sua frota.

Além da alteração de parte do perfil da frota, ao longo de 2018 a TAP retirou de “circulação” quatro Fokker 100 e procedeu ao phase out de um Airbus A319, abrindo espaço para a entrada em serviço de oito Airbus da gama “Neo” — três A330 Neo, um A320 Neo e quatro A321 Neo –, que vieram reduzir a idade média da frota e, logo, as exigências de manutenção.

Foi através da conjugação destes dois fatores que o grupo conseguiu uma poupança de 42% na despesa com manutenção em 2018. “A variação verificada nos gastos com a manutenção de aeronaves”, detalha a companhia nas contas do ano passado, “deve-se ao efeito da renovação da frota e consequente redução da idade média das aeronaves e da reavaliação das principais variáveis componentes da estimativa de encargos com a manutenção das aeronaves em regime de locação operacional“.

A renovação da frota da TAP é um projeto ainda em curso, razão pela qual é de estimar que a companhia aérea venha a registar nova queda da fatura global com manutenção ao longo deste ano. Para 2019 está prevista a entrada em operação de 30 novos aviões — 16 A330 Neo, quatro A321 Long Range, cinco A321 Neo e cinco A320 Neo –, naquela que será “a maior operação de phase-in de aeronaves da história da TAP”, segundo a empresa.

Os ganhos desta renovação não se farão apenas sentir ao nível da despesa com manutenção, já que além destes, e olhando em termos de ganhos sociais mais amplos, é através desta alargada renovação da frota que a TAP estima mitigar parte do aumento de emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera que a aceleração da sua oferta de voos tem provocado, sendo este o efeito mais nefasto do forte crescimento do transporte aérea dos últimos anos.

“A TAP tem atualmente em curso um grande programa de modernização de frota onde integrará, até 2025, 71 novas aeronaves consideravelmente mais eficientes do ponto de vista de consumo de combustível e emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. A TAP será assim uma das companhias com uma das frotas mais modernas, mais eficientes e amigas do ambiente”, conforme lembrou a empresa ao ECO, no início de abril.

Apresentação dos resultados anuais de 2018 da TAP - 22MAR19
TAP gastou 2,3 milhões com salários da administração, menos 30% que em 2017Hugo Amaral/ECO

Capitais próprios negativos em 618 milhões

A evolução dos gastos com manutenção da frota é uma das rubricas positivas do relatório anual da empresa que a administração do grupo TAP vai mostrar aos acionistas na assembleia-geral desta segunda-feira, 29 de abril. Mas neste relatório a tónica predominante é, porém, o agravamento em 30% dos capitais próprios negativos do grupo, de 476 milhões para 618 milhões.

O grupo TAP viu as contas deteriorarem-se de forma significativa no ano passado, caindo de lucros de 21 milhões em 2017 para prejuízos de 118 milhões de euros em 2018. A administração da empresa justificou o agravamento com uma série de efeitos extraordinários cujo impacto líquido ascendeu a 95 milhões de euros nas contas. Sem estes efeitos, o grupo teria terminado o ano com um prejuízo de 23 milhões de euros.

Parte destes efeitos não recorrentes, assegurou a empresa na apresentação de resultados, foram investimentos para resolver unidades de negócio cronicamente deficitárias no seio do grupo — como a operação de manutenção para terceiros no Brasil –, mas também para comprar a “paz social” por um período de quatro anos, “algo inédito na empresa e tão importante para a agenda de crescimento e transformação em curso”, apontou então a gestão da TAP. E será isto que a administração vai defender junto dos acionistas — e vice-versa.

"O Conselho de Administração considera, no entanto, que durante 2018, que foi um ano difícil e desafiante, foram adotadas medidas de reestruturação (…), de transformação e modernização do grupo TAP. Estas medidas colocam a empresa em melhores condições de financiamento e de enfrentar desafios a longo prazo, tornando-a mais capaz de competir a nível internacional”

Administração da TAP

Segundo as propostas que irão ser votadas na AG desta segunda-feira, e apesar do agravamento dos capitais próprios, a administração da empresa vai propor à AG “que delibere não adotar” quaisquer das medidas previstas no Código das Sociedades Comerciais para estes casos, por considerar que “a Sociedade é hoje uma empresa mais robusta e a caminho de uma maior sustentabilidade”, precisamente à conta das medidas com impacto negativo assumidas em 2018.

E os acionistas [Parpública e Atlantic Gateway] concordam com esta visão, tanto que vão propor “aprovar um voto de apreço e confiança no conselho de Administração e no Conselho Fiscal da Sociedade e em cada um dos seus membros, bem como na Sociedade de Revisores Oficiais de Contas da Sociedade, pelo desempenho das respetivas funções durante o exercício de 2018″.

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