Centenas de milhares saem à rua em todo o mundo por melhores condições laborais

  • Lusa
  • 1 Maio 2019

De Paris a S. Petersburgo, passando por Bissau e Jacarta, milhares de pessoas saíram à rua para celebrar o 1.º de maio. Confrontos com a polícia e várias detenções marcaram dia por todo o mundo.

Centenas de milhares de trabalhadores e sindicalistas saíram esta quarta-feira à rua, em todo o mundo, no âmbito das celebrações do 1.º de Maio, para reivindicar melhores condições laborais, originando, em muitos casos, confrontos com a polícia e várias detenções.

Em Lisboa, milhares de pessoas participaram na manifestação que assinala o Dia do Trabalhador, numa iniciativa que junta os vários sindicatos afetos à CGTP.

A manifestação saiu do Martim Moniz em direção à Alameda Afonso Henriques, liderada por um cabeçudo a imitar o primeiro-ministro, António Costa, sendo também visível várias bandeiras de sindicatos e faixas com mensagem contra a banca, a favor da luta dos trabalhadores e por melhores condições de trabalho.

Em Paris, o protesto, que juntou o movimento dos “coletes amarelos” às forças sindicais, arrancou com confrontos com a polícia e a utilização de gás lacrimogéneo. Mesmo antes do início da manifestação, grupos de indivíduos vestidos de negro, os chamados ‘black blocs’, e de cara tapada iniciaram confrontos com a polícia atirando garrafas de vidro e latas de cerveja contra as forças de ordem que, por sua vez, carregaram sobre os manifestantes. Mais de 200 manifestantes foram detidos.

Já na cidade italiana de Turim registaram-se três feridos, dois manifestantes e um polícia, na sequência da intervenção das forças da autoridade para bloquear um protesto contra a construção de uma linha férrea de alta velocidade entre França e Itália.

Na Rússia foram já contabilizadas mais de 100 detenções nas celebrações do 1.º de Maio, 68 das quais em S. Petersburgo num protesto contra o Presidente Vladimir Putin.

As autoridades turcas, por seu turno, também prenderam alguns manifestantes que tentavam marchar em direção à praça central de Istambul, interdita pela polícia por razões de segurança, enquanto na Alemanha a maior confederação sindical apelou aos eleitores que participem nas eleições para o Parlamento Europeu e que rejeitem o nacionalismo e o populismo de direita.

Na Suécia, manifestantes atiraram projéteis contra a polícia, que tentava controlar um protesto em Gotemburgo e na Dinamarca os protestos ficaram também marcados por frases de ordem contra a intervenção das autoridades, tendo sido registados mais de dez detidos nestes dois países.

No Sri Lanka, os principais partidos políticos cancelaram os tradicionais protestos devido a preocupações de segurança, após os recentes atentados que mataram mais de 250 pessoas e na Coreia do Sul os manifestantes exigiram iguais condições laborais para os trabalhadores temporários.

Por sua vez, centenas de pessoas reuniram-se no centro de Atenas em três marchas separadas, organizadas por sindicatos rivais e grupos de esquerda e, em Espanha, os trabalhadores manifestaram-se nas principais cidades, poucos dias antes do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, começar a negociar com os partidos a formação do Governo.

Em Bangladesh centenas de trabalhadores do setor do vestuário e membros de organizações trabalhistas reuniram-se na capital, Daca, para exigir melhores condições de trabalho e, nas Filipinas, milhares de funcionários marcharam em direção ao palácio presidencial de Malacanang, em Manila, para exigir ao Governo, entre outros pontos, o aumento do salário mínimo, enquanto em Hong Kong, trabalhadores estrangeiros juntaram-se às celebrações do 1.ª de Maio, apelando a iguais oportunidades e condições de trabalho.

Por último, em Jacarta milhares de trabalhadores com salários baixos saíram à rua, concentrando-se nos principais monumentos da cidade, enquanto na Guiné Bissau as duas centrais sindicais – a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes – exigiram ao Governo o aumento do salário mínimo dos trabalhadores da Função Pública para 153 euros, ameaçando o executivo com uma onda de greves a partir da próxima semana.

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