Rio e Cristas não falaram com Marcelo durante a crise

  • ECO
  • 7 Maio 2019

A crise política em torno da lei dos professores pode estar a aproximar-se do fim. Depois da mudança de posição, Rui Rio garante ao Expresso que não falou com Marcelo sobre a crise.

O presidente do PSD e a líder do CDS não falaram com o Presidente da República durante a crise política aberta pelo Governo depois de uma coligação PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda terem aprovado na quinta-feira a contagem integral do tempo de serviço dos professores.

“Não falei com o senhor Presidente nem sobre nem durante a crise”, disse Rui Rio ao Expresso. Cristas confirmou ao jornal do grupo Impresa que também não falou com Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado tem-se mantido em silêncio desde que a crise política estoirou. Depois da aprovação daquela lei na comissão parlamentar de Educação e Ciência, o PSD e o CDS anunciaram que estão dispostos a mudar de posição na votação final global da lei, que poderá acontecer já esta sexta-feira, se não forem incluídos os travões financeiros à lei que faziam parte das suas propostas originais.

Esta manhã, a Rádio Renascença avançou que, apesar de ter mantido o silêncio publicamente, o Presidente da República teria telefonado aos líderes partidários no fim de semana por causa da crise política desencadeada pela ameaça de demissão do Executivo de António Costa em reação à lei sobre a contagem do tempo “perdido” pelos professores. Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se ao lado do primeiro-ministro nesta matéria, defendendo que é preciso garantir a sustentabilidade das contas públicas.

Na quinta-feira, os deputados do PSD, CDS, PCP e BE aprovaram a contabilização integral do tempo de serviço congelado dos professores, o que levou o primeiro-ministro a ameaçar demitir-se, caso essa lei avançasse. Isto porque, disse o governante, tal medida colocaria em causa as contas públicas e a própria governação. Em reação, Marcelo Rebelo de Sousa telefonou aos líderes partidários, deixando transparecer que estava ao lado do primeiro-ministro na necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas.

Apesar de ter assim deixado clara a sua posição, o Presidente da República insiste que não interferiu no conflito entre o Governo e o Parlamento. A alguns dos interlocutores, o chefe de Estado foi também dizendo que achava que PSD e CDS tinham caído numa armadilha política da qual tinham de sair rapidamente.

E o que fez a direita? Rui Rio e Assunção Cristas fizeram depender o seu voto favorável da recuperação integral do tempo congelado da aprovação de condicionantes financeiras. Caso esse travão não seja aprovado, a direita garante que não votará a favor da recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias congelados.

(Notícia em atualização às 18h08 com informação de Rui Rio e Assunção Cristas)

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