Macedo quer que dividendos da Caixa sejam “uma longa série”

Depois de anos sem pagar dividendos, a Caixa vai pagar este ano 200 milhões de euros ao Estado. Paulo Macedo deseja transformar a remuneração acionista "numa longa série".

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara-se para voltar a pagar dividendos ao Estado, depois de anos sem qualquer remuneração ao acionista. Mas Paulo Macedo não quer que seja um ato isolado. Deseja que os dividendos do banco público “sejam uma longa série”.

“Terá de ser o nosso empenho que os dividendos sejam uma longa série”, afirmou Paulo Macedo na conferência CEO Banking Forum, dedicada ao tema “Um olhar sobre os desafios futuros da economia, inovação e financiamento”, que decorreu no Campus de Carcavelos da Nova SBE.

O banco público vai pagar 200 milhões de euros ao Estado, com a proposta a ser aprovada na próxima assembleia geral, isto depois de ter obtido lucros de quase 500 milhões de euros o ano passado.

Questionado sobre o discurso político relativamente aos professores, nomeadamente sobre as críticas de haver dinheiro para os bancos e a recusa de contar todo o tempo de serviço dos docentes, Paulo Macedo lembrou que a injeção de capital na CGD teve como pressuposto negociado com Bruxelas o facto de esse investimento ter de “gerar retorno”. “O Estado vai ser ressarcido”, assegurou o gestor.

Paulo Macedo deu conta ainda de todos os custos regulatórios e contribuições que o banco tem de suportar, como por exemplo, para o fundo de resolução nacional, o mecanismo de resolução europeu ou fundo de garantia de depósitos. “Em três anos, a Caixa pagou 400 milhões” em custos regulatórios, o dobro do dividendo que vai distribuir ao acionista este ano, sublinhou o presidente do banco público.

No total, a recapitalização da Caixa ascendeu a quase cinco mil milhões de euros, metade da qual ocorreu através da injeção de dinheiro fresco por parte do Estado.

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