Fórum EuroBic: Empreendedorismo em Leiria é “inato”. Atração e retenção de talento ainda é o grande desafio da região

Leria tem crescido no número de empresas criadas e onda de empreendedores locais faz a cidade avançar. Mas principais desafios ainda passam por fixar pessoas e reter talento.

Leiria tem gozado de um crescimento económico nos últimos anos, muito devido ao seu tecido empresarial e espírito empreendedor. Em 2017, a capital de distrito somou 1.600 milhões de euros em exportações, sendo a fatia maior — 82% — com destino à União Europeia, e conta hoje com 138.564 empregos criados no setor empresarial. “Estamos perante uma das regiões mais dinâmicas do país”, disse Nuno Gonçalves, do IAPMEI, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação. “Aqui tem-se o cuidado em acrescentar valor à produção e o valor das exportação é sinal disso mesmo”.

O CEO da Respol, Rui Brogueira, dá conta dessa realidade quando disse que existe uma “dinâmica da região associada ao empreendedorismo de Leiria”. “Não sei quais as razões, mas de certa forma é inato“, frisou.

A cidade foi o novo mote do Fórum Desafios e Oportunidades, uma parceria ECO/EuroBic, onde o painel de convidados com negócios na região contou como esta é diversificada do ponto de vista dos setores, que vão desde a cerâmica à agricultura, contando muito com o turismo religioso de Fátima.

Pedro Seabra, presidente da comissão executiva da Garval, realçou uma mentalidade diferente entre os empresários de Leiria. “Com os empresários de Leiria conseguimos criar uma relação, há disponibilidade para isso, um maior empreendedorismo industrial”, revelou.

Fórum Desafios e Oportunidades na Batalha - 15MAI19

Uma das indústrias de peso em Leiria é a de moldes. Manuel Oliveira, da Cefamol — a Associação Nacional da Indústria de Moldes, conta como nos últimos anos mais do que duplicaram as exportações e a produção. “Este é um setor que nasceu internacionalizado, e esse é o nosso foco. Uma das nossas grandes âncoras é a indústria automóvel”, que reúne mais de 80% do que produzem, revela.

De momento, áreas como a de dispositivos médicos, embalagens e a aeronáutica também têm sido uma aposta forte da Cefamol. “Mas isso requer tempo das organizações, a mudança tem de ser feita a médio e longo prazo. O nosso principal desafio agora é atrair pessoas qualificadas”.

Ao nível de políticas públicas, Nuno Gonçalves considera que estas devem ser utilizadas de forma mais intensa pelas empresas, que devem apostar em maior capacidade de investir e inovar. “O programa Capitalizar Mais do Governo tem disponibilizado linhas financeiras que permitem que as empresas tenham uma alavancagem inteligente”, comentou.

Pedro Seabra concorda. Na Garval estão a desenvolver linhas setoriais “para a economia circular e eficiência energética“, por exemplo. “A questão aqui é saber tornar essas linhas eficazes. Acabamos por ter um papel mais relevante para as empresas”.

Fixar talento continua a ser maior desafio de Leiria

Sobre a gestão de recursos humanos os empresários são unânimes: é um dos maiores desafios a ter em conta em Leiria, especialmente na parte da retenção. “Hoje as pessoas gostam de ser geridas de outra maneira. Este é um tema que as empresas têm de ter em atenção para desenvolver competências, como políticas de incentivo, de maior work life balance. Passámos de o querer ter coisas para o querer viver experiências”, admite Rui Brogueira.

Para o CEO da Respol esse é mesmo o maior desafio da região. “Antes o crédito à habitação consolidava a fixação de pessoas numa região, das famílias. Cada vez hoje isso acontece mais tarde. As regiões têm de fazer com que as pessoas se sintam bem. Leiria tem estado a trabalhar ativamente nisso. Temos muitos setores, não temos uma identidade específica criada. Estas indústrias têm de ser complementadas”, disse.

Fórum Desafios e Oportunidades na Batalha - 15MAI19

Manuel Oliveira fala numa mudança de paradigma quando se valorizam as competências das pessoas. “A prioridade agora tem de ser conseguir atrair maior talento, trazê-lo para a região e valorizar mais as soft sklils, não só as qualidades técnicas. É o saber estar, saber ser. Vai ser fundamental nos técnicos de amanhã. Temos desenvolvido trabalho com as escolas nesse âmbito e que tem dado frutos, criado mais oportunidades”, remata.

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