Governo cria “task force” de três ministérios para blindar Coleção Berardo

A ministra da Cultura não quis antecipar qual a estratégia do Executivo, dizendo que não o Governo não iria dar essa "satisfação" a Berardo.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, disse esta quinta-feira que o Governo vai criar uma task force para garantir a resposta adequada a Joe Berardo, assegurando que a coleção do empresário, que está sob um acordo de comodato o Estado português, mantém a sua integridade e pode continuar a ser vista pelo público em geral.

“Hoje foram discutidas as vias possíveis de atuação do lado do Governo relativamente à imperiosa necessidade de garantir a integridade, não alienação e fruição pública da Coleção Berardo”, afirmou Graça Fonseca na conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros.

Salientando que o caso de Joe Berardo requer uma articulação entre as áreas da Cultura, Justiça e Finanças, a ministra afirmou que “o Governo tem ao seu dispor as necessárias e adequadas medidas legais para garantir estes três objetivos (…) e, em breve, vai anunciar outras medidas”, afirma.

A ministra não quis, contudo, especificar qual será a estratégia do Executivo. “Como o primeiro-ministro já disse, as declarações e a posição de Berardo são insultuosas e inadmissíveis. Nós, nesta fase, não vamos dar a satisfação a Berardo de antecipar as medidas que o Governo pode adotar“, disse.

Recorde-se que, perante os parlamentares, Joe Berardo declarou que é “claro que não [tem] dívidas”, alegando que as dívidas aos bancos não são dívidas pessoais, mas de entidades ligadas a si, e que tentou “ajudar os bancos” com prestações de garantias, alegando terem sido estes que sugeriram o investimentos em ações do BCP.

Já sobre a Associação Coleção Berardo, o empresário madeirense disse que “ficaria muito contente se acabassem” com o contrato da Associação com o Estado e com o Centro Cultural de Belém (CCB) para exposição de obras de arte. “A Associação Coleção Berardo celebrou um contrato com a Fundação Coleção Berardo, que foi instituída pelo Estado, pelo CCB e a Associação. É a Fundação Coleção Berardo que explora o museu [no CCB]”, declarou o empresário.

(Notícia atualizada às 14h57)

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