Só um em cada dez portugueses apostam na aprendizagem ao longo da vida

Portugal está abaixo da média europeia no que diz respeito à aprendizagem ao longo da vida. Ainda que se reconheça que essas atividades são vitais para o futuro do trabalho, Portugal está na cauda.

Apenas 11% adultos europeus apostam na aprendizagem ao longo da vida. A conclusão é do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), que indica que, em 2018, a taxa em Portugal foi mesmo inferior à comunitária, verificando-se ainda assim, em ambos os casos, uma subida em termos homólogos. Apesar desse aumento, o cenário em causa é particularmente preocupante, já que a aprendizagem ao longo da vida tem sido apontada como uma das chaves para assegurar o futuro do trabalho humano.

“Os resultados do inquérito ao emprego mostram que, em 2018, a taxa de participação na União Europeia ficou nos 11,1%, 0,2 pontos percentuais (p.p) acima da taxa de 2017. A taxa tem aumentado gradualmente desde 2017, altura em que estava fixada nos 10,7%”, explica o Eurostat, referindo que as mulheres tendem a apostar mais do que os homens na aprendizagem ao longo da vida.

Entre os países europeus, Suécia (29,2%) e Dinamarca (23,5%) registaram as maiores taxas de participação. Do outro lado do espetro, aparecem a Roménia (0,9%), Bulgária (2,5%), Croácia (2,9%), Eslováquia (4%) e Grécia (4,5%).

E Portugal? Os adultos portugueses aparecem a meio da tabela (10,3%), ficando abaixo da média comunitária. Além disso, ao contrário do que aconteceu na generalidade dos países europeus, por cá a taxa não tem vindo a aumentar ano após ano, de modo consecutivo. Antes, atingiu um pico (11,5%) em 2011, tendo registado um recuo nos três anos seguintes. Em 2015, Portugal voltou a ver a taxa subir, mas no ano seguinte verificou-se um novo recuo. Nos últimos dois anos, a tendência já tem sido de aumento.

Ao contrário do que aconteceu na Europa, Portugal não registou uma subida contínua

Fonte: Eurostat

Em janeiro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou dez prioridades para garantir a proteção dos trabalhadores face às novas tecnologias, à robotização e aos desafios demográficos. O primeiro desses apelos deixados aos Governos foi, exatamente, o reconhecimento e valorização do direito à aprendizagem ao longo da vida, de modo a melhorar as competências dos trabalhadores e a permitir o desenvolvimento de novas habilidades.

“A aprendizagem ao longo da vida é a maior revolução do ponto de vista das políticas públicas” provocada pelos avanços tecnológicos, considerou o ministro do Trabalho e da Segurança Social, em reação a esse relatório. Na apresentação do estudo em Portugal. Vieira da Silva escolheu esse ponto como prioridade para a sociedade portuguesa, já que há “um défice de qualificações em comparação com os outros países”, realidade confirmada pelo Eurostat, esta sexta-feira. “A aprendizagem ao longo da vida só se constrói, se a educação for concebida, desde o início, como uma banda larga e não no sentido de ultra especialização”, disse.

O governante reforçou ainda que as escolas e as universidades não podem ser apenas espaços para “completar” a etapa formativa inicial, mas lugares aos quais se regressa para facilitar estas transições provocadas pelos avanços tecnológicos.

De notar que por aprendizagem ao longo da vida se entendem todas as atividades que tenham como objetivo melhorar o conhecimento e as competências pessoais, cívicas e profissionais dos adultos.

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