China Three Gorges deu aval à parceria da EDP com a Engie, mas fica de fora

Mexia garante que não estava à espera do fim da OPA para anunciar nova parceria com a francesa Engie. Ao contrário, até considera que não seria incompatível com a aquisição caso esta tivesse avançado.

A estratégia da EDP após a morte da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela China Three Gorges (CTG) passa por uma parceria estratégica com a francesa Engie para criar uma líder mundial na energia eólica offshore. A criação da joint-venture foi conhecida menos de um mês depois do fim da OPA, mas António Mexia garante que não há qualquer relação entre os dois eventos. Até tem o aval do acionista maioritário.

“O que anunciámos foi aprovado de acordo com as regras do jogo e foi aprovado pelos principais acionistas, pelo conselho executivo e pelo conselho de supervisão da EDP”, afirmou o CEO, na assinatura da parceria, esta terça-feira, em Londres.

Sublinhou, no entanto, que a joint-venture “é uma relação exclusiva” entre a EDP e a Engie pelo que a CTG — maior acionista da elétrica e falhou a tentativa de passar a controlar a totalidade do capital — não será incluída.

O objetivo das duas energéticas é que a joint-venture esteja montada e operacional até ao final do ano. Como explicou Mexia são “investimentos de longo prazo” e só em 2022 serão esperados os primeiros resultados. Como o controlo da operação é partilhado em partes iguais, tanto Engie como EDP irão receber 50% dos eventuais lucros que tenha. Assim, a CTG poderá vir a beneficiar desta operação, através dos dividendos que recebe dos lucros da EDP.

Questionado sobre se estava à espera do fim da OPA (que esteve em aberto durante um ano e caiu há cerca de um mês quando os restantes acionistas da elétrica rejeitaram uma condição necessária para a operação) para lançar esta parceria ou se havia alguma relação com o facto de a Engie ter sido dada como uma possível candidata a lançar uma OPA concorrente pela EDP Renováveis, Mexia rejeitou qualquer hipótese.

“Se estamos aqui hoje é porque havia detalhes a serem finalizados, o que só aconteceu recentemente”, disse o CEO, sublinhando que a EDP e a Engie trabalham juntas há muito. “Quando uma empresa está sob uma oferta, há sempre muitos rumores…”, lembrou. “Dada a natureza específica da joint-venture, penso que teria sido compatível [com a aquisição por parte da CTG]”, acrescentou Mexia.

A EDP tinha apresentado o plano estratégico da empresa para o período entre 2019 e 2022 em março e, na altura, tinha já anunciado que o caminho era reforçar a atividade no setor das renováveis. Além da nova parceria, pretende vender seis mil milhões de euros ativos (dois mil milhões de alienações e quatro mil milhões de rotação) e otimizar portefólio para alocar sete mil milhões de euros a este segmento.

Do total para este ano, já está coberta 90% da meta. Questionada sobre se esta parceria abria a porta a aquisições por parte da Engie, a CEO Isabelle Kocher sublinhou que é uma joint-venture com um objetivo específico — o eólico offshore –, mas acrescentou: “A vida continua e não excluímos outras parcerias”.

(A jornalista viajou a convite da EDP)

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