TAP perde passageiros no primeiro trimestre do ano. easyJet e Ryanair aproveitam

Aeroportos portugueses registaram um aumento de 5,91% no número de passageiros entre janeiro e março. Mas a TAP transportou menos 7 mil no período homólogo. easyJet ganhou 215 mil e Ryanair 180 mil.

Entre janeiro e março de 2019, os aeroportos portugueses lidaram com pouco mais de 10 milhões de passageiros, um crescimento de 5,91%, ou de 560 mil viajantes, face aos 9,48 milhões contabilizados no mesmo período do ano passado. A TAP apresentou uma quebra no total de passageiros.

O crescimento deveu-se sobretudo à easyJet e à Ryanair que, no mesmo período, transportaram, respetivamente, mais 215 mil passageiros e 180,4 mil passageiros de/para Portugal. Já a TAP registou uma quebra na procura, segundo contas do ECO aos dados provisórios disponibilizados pela Autoridade Nacional de Aviação Civil nas monitorizações mensais de tráfego aéreo.

Os dados mensais sobre o tráfego nos aeroportos portugueses mostram que a TAP registou perdas de 2,14% e 3,57% nos passageiros transportados em janeiro e fevereiro, tendo recuperado de forma significativa em março, com um salto de 4,36%, mês em que transportou mais 55 mil viajantes. Contudo, a recuperação foi insuficiente para fechar o trimestre a crescer — a TAP perdeu 62 mil nos dois primeiros meses do ano.

Somando os totais de cada mês, conclui-se que os 3 milhões e 457 mil passageiros que a companhia conseguiu no primeiro trimestre de 2018, baixaram para 3 milhões e 45 mil este ano.

Miguel Frasquilho, chairman da TAP, já tinha apontado ao ECO que o primeiro trimestre não tinha sido fácil para a transportadora, ainda que antecipando que as “perspetivas para o conjunto do ano são positivas”.

Em sentido contrário à companhia portuguesa, evoluíram as duas outras transportadoras que compõem o pódio dos aeroportos portugueses, a Ryanair e a easyJet.

Entre as duas transportadoras, destaque inicial para a Ryanair, que ultrapassou a fasquia de dois milhões de passageiros no primeiro trimestre de 2019, mais 9,79%, ou 180,4 mil passageiros, face ao total conseguido pela low-cost nos primeiros três meses do ano passado. Em janeiro e fevereiro esta transportadora conseguiu crescimentos de 11% face aos registos mensais de 2018 e em março o crescimento desacelerou para 7%.

Já a easyJet conseguiu um aumento expressivo em fevereiro, com um salto de 12,5% nos passageiros transportados. Os dados provisórios da ANAC mostram que a companhia transportou 374,7 mil passageiros no segundo mês do ano, contra os 333 mil em fevereiro de 2018. Em janeiro o crescimento da easyJet foi de 8% e em março de 6,8%. Somando os passageiros transportados de/para Portugal nos três meses, nota-se que esta low-cost conseguiu um total de 1,14 milhões de passageiros, contra os 1,05 milhões no período homólogo.

Contas feitas, estas duas low-cost transportaram mais 396 mil passageiros de/para Portugal no primeiro trimestre do ano, respondendo assim por mais de 70% do crescimento registado nos aeroportos de Portugal, que contabilizaram mais 560 mil viajantes no período.

Nesta análise deve ter-se em atenção o “efeito Páscoa”, já que este período, no ano passado, calhou em março e este ano apenas em abril. Ou seja, sem o “efeito Páscoa”, os crescimentos das companhias aéreas no último mês do trimestre muito provavelmente teriam sido superiores.

Aeroporto do Porto cresce 9%, Lisboa 3,41%

Já olhando para os dois maiores aeroportos do país, é de salientar que o aeroporto Sá Carneiro cresceu mais do que o aeroporto Humberto Delgado tanto em termos relativos, como em termos reais, segundo contas do ECO aos dados mensais provisórios disponibilizados pela ANAC.

O Porto registou um crescimento de 9,05% nos passageiros entre janeiro e março, com mais 215,6 mil viajantes contabilizados, valores que comparam com os crescimentos de 3,41% e mais 204 mil passageiros em Lisboa.

A grande diferença na evolução de ambas as infraestruturas deu-se sobretudo nos dois primeiros meses do ano, quando na Portela o total de passageiros evoluiu de modo bastante mais modesto que a Norte. Em janeiro, Lisboa movimentou 1,96 milhões de passageiros (+2,71%), em fevereiro 1,87 milhões (1,46%) e em março já deu um salto mais significativo, de 5,6% face ao mesmo mês de 2018, tendo gerido 2,36 milhões de viajantes.

No mesmo período, o aeroporto Sá Carneiro conseguiu sustentar crescimentos acima de 8% em todos os meses, destacando-se as subidas superiores a 9% em janeiro e fevereiro. Já em março, o crescimento foi de “apenas” 8,36%, mostram os dados provisórios da ANAC.

O crescimento mais contido do aeroporto de Lisboa face ao Sá Carneiro pode-se explicar com os constrangimentos associados à falta de espaço do aeroporto Humberto Delgado, tanto em terra, como no ar. As companhias têm por repetidas vezes apresentado queixas de falta de condições para reforçar oferta na Portela, a tal ponto que o governo já criou uma equipa com grande parte dos players da aviação em Portugal para tentar mitigar ao máximo o impacto destes constrangimentos.

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