CGD emprestou 125 milhões a Isabel dos Santos sem antes avaliar capacidade financeira da empresária

  • ECO
  • 25 Maio 2019

Banco financiou empresária em 125 milhões para comprar ações da NOS sem antes ter avaliado a sua capacidade financeira. Operação "não é compatível com prática prudente de concessão crédito", diz BdP.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) emprestou 125 milhões de euros a Isabel dos Santos apesar de não ter feito qualquer avaliação à capacidade financeira da empresária angolana e de ter em mãos um parecer condicionado da sua Direção-Geral de Risco, manifestado dúvidas em relação à operação. Segundo o Correio da Manhã (acesso pago), o financiamento serviu para Isabel dos Santos comprar ações da NOS e foi concedido em condições mais apertadas que as aplicadas a Joe Berardo, por exemplo.

A operação é revelada num relatório do Banco de Portugal (BdP), realizado em 2011, sobre os créditos da CGD, onde este financiamento à empresária é criticado. “Os fundamentos considerados para a concessão do crédito em apreço, assentes essencialmente nas garantias associadas por indisponibilidade de informação sobre a situação financeira do mutuário [Isabel dos Santos], não são compatíveis com uma prática prudente de concessão de crédito“, aponta o supervisor bancário, citado pelo CM.

O crédito foi aprovado no final de 2009, quando a CGD era presidida por Faria de Oliveira, tendo o banco incluído entre as garantias exigidas as próprias ações que a empresária ia adquirir. Foi através deste crédito que Isabel dos Santos viria a reforçar posição na operadora Zon (hoje NOS), atingindo os 10% do capital. Parte do reforço foi através de compras à própria CGD (2%) e à Cinveste (3,43%).

Na análise do Banco de Portugal a este processo, o supervisor conclui que na análise de risco associada a este crédito “não se encontrava disponível qualquer informação que permitisse avaliar a capacidade financeira da Engª Isabel dos Santos“, tendo a avaliação da Direção-Geral de Risco (DGR) se limitado a avaliar a situação da Zon. Contudo, e como a DGR “tinha conhecimento das participações que a cliente [Isabel dos Santos] detinha em diversas empresas e as informações disponíveis eram muito abonatórias em relação à sua capacidade financeira”, a operação acabou por ser aprovada.

Além da empresária ter apresentado um total de garantias que cobriam 115% do valor do crédito — as próprias ações, um aval pessoal e um depósito a prazo de 14,5 milhões de euros –, no racional da CGD que levou à decisão concorreram igualmente outros ganhos com o negócio, conforme explicou o Diretor-Geral de Risco da CGD ao BdP: o banco reduziria a sua exposição na Zon, pois venderia as ações a Isabel dos Santos a um bom preço, e a Cinveste, outra das empresas a quem a empresária iria comprar títulos da Zon, comprometia-se a usar a receita da venda a amortizar responsabilidades de uma emissão de papel comercial, sintetiza o Correio da Manhã.

O diário do grupo Cofina contactou Isabel dos Santos para comentar esta análise do Banco de Portugal ao crédito em causa crédito e fonte próxima da empresária apenas avançou que “todas as obrigações” associadas ao financiamento “foram e estão a ser cumpridas”.

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