Juros da dívida de Portugal a cinco anos em terreno negativo pela primeira vez

No prazo de cinco anos, a yield toca pela primeira vez -0,010% e, a 10 anos, também negoceia em novos mínimos de sempre. Por toda a Zona Euro, a tendência é de diminuição, à exceção de Itália.

Os juros da dívida portuguesa não param de renovar mínimos. O valor pedido pelos investidores para trocarem títulos nacionais entre si está a cair esta terça-feira tanto a cinco como 10 anos, sendo que no prazo mais curto negoceiam pela primeira vez em valores negativos.

Uma hora depois da abertura do mercado em Lisboa, os juros a 10 anos estavam a cair para 0,934%, um mínimo de sempre, contra 0,953% na segunda-feira. Já os títulos com maturidade a cinco anos recuavam para -0,010%. Este não só é um mínimo de sempre (que compara com 0,002% de segunda-feira) como é a primeira vez que o juro destas obrigações negoceia em valores negativos.

Em sentido contrário, os juros a dois anos estavam a subir, mas após terem terminado em mínimos de sempre na segunda-feira. Nesse prazo, subiam para -0,409%, depois de terem terminado em -0,413% a última sessão.

Portugal tem vindo a beneficiar nos últimos meses da renovada confiança dos investidores e, nas últimas duas sessões, da revisão em alta do outlook pela Fitch. A agência norte-americana anunciou, na sexta-feira à noite, a subida da perspetiva da dívida portuguesa para “positiva” da anterior categoria “estável” sustentada na previsão de que “a recente descida do rácio de endividamento possa ser mantida”.

Apesar de não ter subido o rating, abriu a porta a fazê-lo em novembro quando fizer nova avaliação, já após as eleições legislativas. Além disso, desde a última sessão que há tendência generalizada de quebra nos juro das dívidas da Zona Euro, em reação às eleições europeias deste domingo.

A yield das Bunds alemãs a dez anos negoceia em -0,155% (em mínimos de dois anos e meio), enquanto o juro da dívida de França cai para 0,257% e de Espanha para 0,792%. A exceção é Itália, que renovou o conflito com as instituições europeias e vê agora a yield das Obrigações a dez anos subir para 2,717%.

A Comissão Europeia deverá iniciar um novo processo de contraordenação contra Itália já na próxima semana devido ao aumento da dívida e do défice acima das metas definidas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, segundo confirmaram duas fontes à agência Reuters. “O sentimento é definitivamente de ação”, disse um dos oficiais europeus que falou sob anonimato. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini já confirmou que a multa poderá chegar a três mil milhões de euros.

Também Claudio Borghi, deputado da coligação governamental, afirmou que Itália pretende ter um dos lugares na comissão executiva do BCE. A instituição europeia é atualmente liderada por um italiano, Mario Draghi, que irá abandonar o cargo no próximo ano e Itália não quer perder influência. O objetivo é que o Banco Central Europeu (BCE) compre mais dívida italiana, para que o país possa continuar a emitir dívida para financiar projetos de infraestruturas e estimular o crescimento.

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