Governo abre a porta a novas soluções para captar poupança das famílias para o mercado de capitais

O ministro-Adjunto e da Economia alertou que o mercado de capitais não está a acompanhar o aumento do rendimento das famílias. Garantiu que o Governo está disponível para novas medidas de dinamização.

Apesar da recuperação da economia, o mercado de capitais ainda não está a captar as poupanças dos portugueses. Pedro Siza Vieira, ministro-Adjunto e da Economia, alertou para este entrave ao financiamento empresarial e garantiu que o Governo está disponível para trabalhar em conjunto com os intervenientes do mercado para contrariar a tendência.

Precisamos de mais investimento e de assegurar que o rendimento disponível das famílias e das empresas é aplicado em Portugal com segurança e retorno”, afirmou o ministro, na conferência anual da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que tem lugar esta sexta-feira, em Lisboa.

“O rendimento disponível das famílias cresceu muito significativamente”, lembrou, apontando para o crescimento do emprego e dos salários. “No entanto, a taxa de poupança está em queda e o consumo não está a crescer na mesma proporção que o rendimento. As famílias estão a aplicar as poupanças na amortização das suas dívidas“, alertou.

O ministro-Adjunto e da Economia considera que há a simultânea aplicação das poupanças dos portugueses na amortização de dívida ou em instrumentos financeiros estrangeiros a par da dependência do financiamento em banca ou em mercados de outros países.

Alertou que é necessário mudar a situação — e “é o Governo que tem de contribuir para a solução”, como disse — para que a economia continue a expandir. Não especificou se o Governo estava ou não a preparar medidas concretas, mas lembrou a criação, desde o início da legislatura, das Sociedades de Investimento para o Fomento da Economia (SIMFE) e das Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI).

Siza Vieira lembrou que a economia portuguesa está a crescer acima da média europeia, o que vê como a primeira etapa de convergência e atribui à aposta das empresas na inovação e qualificações. “O investimento empresarial tem crescimento muito significativamente nos últimos três anos e precisa de continuar”, sublinhou, alertando para “desafios decisivos na próxima década” como a automação ou a transição energética.

“O crescimento sustentado da economia vai exigir a mobilização de recursos financeiros muito significativos. Há-de vir de muitas fontes [incluindo fundos comunitários], mas sabemos que também precisamos de fontes nacionais para acompanhar esse esforço. É importante que as fontes de financiamento ao serviço das empresas sejam o mais diversificadas possível. A poupança empresarial não vai ser suficiente, como até aqui, para acompanhar esse esforço“, acrescentou o ministro.

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