BCE tem juro em 0%. Abrandamento da economia pode obrigar a baixar ainda mais a taxa

Pressionado pela desaceleração da economia e riscos externos, Mario Draghi poderá ser obrigado a tomar novas medidas. Há 50% de hipótese de ter de cortar ainda mais os juros.

A taxa de referência do euro está em mínimo histórico desde a crise. E o Banco Central Europeu (BCE) poderá ter perdido a “janela de oportunidade” para a subir. Pressionado por riscos internos e externos, o banco central vai tentar travar a desaceleração com uma nova série de empréstimos a baixos custos à banca, mas um novo corte nos juros, que já estão em 0%, começa a desenhar-se nos mercados financeiros.

O BCE tem um novo economista-chefe que poderá estrear-se nas reuniões de política monetária europeia de tesoura na mão. “Philip Lane é uma adição fantástica à nossa equipa”, disse o presidente do BCE, Mario Draghi, sobre o novo economista-chefe na última reunião do conselho de governadores, em abril. Mas Lane não deverá ter o trabalho facilitado.

O antecessor Peter Praet reviu as projeções para a economia da Zona Euro, em março, para a atual estimativa de crescimento de 1,1%, este ano, 1,6% no próximo e 1,5% em 2021. As projeções para a inflação situam-se em 1,2% este ano, 1,5% em 2020 e 1,6% em 2021. Esta quinta-feira, no primeiro encontro em que participa, o irlandês Lane poderá fazer novo corte ou, pelo menos, sinalizar o aumento dos riscos.

“Apesar de o crescimento da Zona Euro ter ganho impulso no primeiro trimestre de 2019 [com um crescimento de 0,4%], a tendência é de moderação devido à fraqueza prolongada do setor industrial relacionado com fatores estruturais e abrandamento da procura global”, referem o economista Vitor Sun Zou e a economista sénior María Martínez, do BBVA, numa nota de research.

Apesar de não esperarem alterações muito significativas no outlook para este ano, os analistas do BBVA consideram que “a guerra comercial e o aumento da incerteza política poderá levar a uma ligeira revisão em baixa das estimativas no horizonte temporal”, ou seja, para os próximos dois anos.

“O BCE continua impossibilitado de normalizar a sua política monetária após uma deterioração das perspetivas macroeconómicas”, explica Franck Dixmier, global head of fixed income da Allianz Global Investors (GI). “O balanço dos riscos continua a pender para o lado negativo, e esses riscos – em particular, as incertezas persistentes relacionadas com o Brexit, Itália e, acima de tudo, as tensões no comércio global – são difíceis de quantificar”.

Limitado na possibilidade de normalização da política monetária pelo aumento dos riscos, os futuros do mercado monetário indicam 50% de probabilidade de o BCE descer a taxa de referência (em mínimos históricos desde 2015) em 10 pontos base no final deste ano, em linha com as expetativas para a política monetária dos EUA.

Enquanto a Fed tem a taxa entre 2,25% e 2,50%, o BCE não saiu de 0%. Um corte poderá colocar a taxa em “terreno” negativo, como já estão os juros dos depósitos, situação que tem penalizado a banca europeia.

Para já, o BCE irá tentar estimular a economia através do setor financeiro. Draghi deverá ainda apresentar detalhes sobre os termos da terceira ronda de TargetedLonger-TermRefinancingOperations (TLTROIII) que terão início em setembro, sendo que os efeitos serão limitados. Poucos bancos, de poucos países, admitem recorrer a esta nova ronda tendo em conta o abrandamento na procura por crédito por parte das empresas.

Uma das dúvidas que vai ser esclarecida prende-se com a taxa a que serão concedidos esses empréstimos aos bancos. “O BCE tem duas opções: usar a taxa destes empréstimos como ferramenta monetária, por exemplo combinando-a com a taxa de depósitos — uma forma de aliviar bancos cuja rentabilidade está a ser pressionada pelo ‘imposto’ de 40 pontos base sobre o excesso de reservas — ou adotar uma postura mais restritiva, definindo um juro igual à taxa de refinanciamento [0%]”, explicou Dixmier.

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