BCE junta-se ao coro de alertas sobre exposição da banca portuguesa à dívida pública

Os riscos à estabilidade financeira estão mais elevados e os países com elevado endividamento são os mais vulneráveis. Perda de valor dos ativos não é excluída pela instituição liderada por Draghi.

Os riscos para a estabilidade financeira da Zona Euro estão mais elevados devido aos riscos de desaceleração económica, que poderão criar vulnerabilidades especialmente nos países mais endividados. O alerta é feito pelo Banco Central Europeu (BCE), que aponta para a elevada exposição da banca à dívida soberana.

A dívida pública doméstica detida pelos bancos continua elevada ou até aumentou desde início de 2018 em alguns países da Zona Euro, como é o caso de Itália ou Portugal. Apesar de uma moderação na perceção de risco soberano nos últimos meses, as posições de capital dos bancos com grandes quantidades de obrigações soberanas avaliadas ao preço de mercado continua vulnerável a repentinos aumentos do prémio de risco soberano”, refere o BCE no relatório de estabilidade financeira publicado esta terça-feira.

Esta preocupação com a exposição da banca portuguesa à dívida foi recentemente demonstrada tanto pelo Fundo Monetário Internacional como pela Comissão Europeia. Em Portugal e Itália, a compra de títulos tem aumentado nos últimos anos. Mais de 8% dos ativos detidos pelos bancos portugueses são, atualmente, dívida pública portuguesa, face a cerca de 1% em 2008.

Portugal, ao contrário de Itália, tem beneficiado de uma descida acentuada dos juros da dívida pública tanto em mercado primário como secundário, tendo atingido mesmo mínimos históricos. A preocupação das várias instituições é que, numa situação de subida das yields, haja um efeito em cadeia. Esse aumento do prémio de risco pedido pelos investidores não é excluído pelo BCE, que vê riscos mais elevados.

A incerteza sobre as perspetivas de crescimento económico global têm contribuído para um aumento da volatilidade nos mercados, agravada pelas tensões comerciais. O risco de ajuste dos preços dos ativos em baixa “parecem particularmente elevados”, especialmente no setor empresarial, mas também para a dívida pública.

Casos os riscos negativos para o crescimento económico se materializem, é provável que os custos de financiamento para países mais vulneráveis subam, o que poderá desenterrar preocupações sobre a sustentabilidade das dívidas. Além do elevado endividamento e de grandes défices orçamentais, alguns países poderão enfrentar riscos de refinanciamento se os participantes do mercado decidirem reavaliar o risco soberano”, acrescenta o relatório.

O BCE não especifica quais os países a que chama vulneráveis, mas Grécia, Itália e Portugal são os três países da Zona Euro com maior rácio de dívida face ao PIB. No caso de Itália, a Bloomberg noticiou na segunda-feira que a Comissão Europeia prepara-se para iniciar medidas disciplinares devido ao crescente aumento da dívida e do défice do país, o que viola as leis da União Europeia. O Comissário Europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, afirmou que não estão previstas neste momento sanções.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCE junta-se ao coro de alertas sobre exposição da banca portuguesa à dívida pública

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião