Endividamento da economia sobe para 356,8% do PIB no primeiro trimestre

O endividamento do setor não financeiro, que inclui o endividamento de toda a economia deixando de fora a banca, somou 724,4 mil milhões de euros.

A economia portuguesa atingiu no primeiro trimestre do ano um endividamento total de 724,4 mil milhões de euros, o equivalente a 356,8% do PIB, revelou esta quarta-feira o Banco de Portugal. Face ao final do ano passado, o endividamento medido em percentagem do PIB aumentou.

Em termos absolutos, o endividamento total da economia está a agravar-se há três meses seguidos. Os dados publicados pelo banco central permitem medir a evolução em percentagem do PIB. Neste caso, o endividamento subiu em relação ao rácio alcançado no final de 2018 (equivalente a 355,7% do PIB). Esta tendência foi diferente da observada no ano passado, quando o endividamento em percentagem do PIB aliviou entre o final de 2017 e o arranque de 2018.

No entanto, face ao primeiro trimestre do ano passado, o endividamento reduziu-se de 367,5% do PIB referentes aos primeiros três meses de 2018 para 356,8% do PIB nos primeiros três meses de 2019.

O endividamento do setor não financeiro inclui o endividamento das empresas do setor público, privado e dos particulares. De fora deste indicador calculado pelo Banco de Portugal fica a dívida das instituições financeiras. Estes valores não estão consolidados entre setores, daí apresentarem valores tão elevados.

Mais de metade do endividamento está no setor privado

O banco central explica que “em março de 2019, o endividamento do setor não financeiro situava-se em 724,4 mil milhões de euros, dos quais 323,3 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 401,1 mil milhões de euros ao setor privado”. Ou seja, 55% do endividamento acumulado neste período estava concentrado no setor privado.

“Relativamente a fevereiro de 2019, o endividamento do setor não financeiro aumentou 1,4 mil milhões de euros”, mostram os dados do Banco de Portugal. Este aumento foi distribuído em incrementos de 900 e de 500 milhões de euros nos endividamentos do setor público e do setor privado, respetivamente.

Também quando medido em percentagem do PIB, o maior contributo para o agravamento do endividamento total da economia resulta do setor público não financeiro (onde o endividamento passou de 157,5% do PIB para 159,3% do PIB), já que o setor privado não financeiro viu o endividamento baixar de 198,3% do PIB para 159,3% do PIB.

“A subida do endividamento do setor público refletiu-se, sobretudo, no aumento do endividamento face ao setor não residente em 1,4 mil milhões de euros, parcialmente compensado pela diminuição do financiamento concedido pelo setor financeiro e pelas próprias administrações públicas”, adianta o banco central.

No setor privado, observou-se um acréscimo do endividamento das empresas privadas em 600 milhões de euros, essencialmente junto do exterior. O endividamento dos particulares diminuiu 100 milhões de euros.

Evolução do endividamento total da economia

Fonte: Banco de Portugal

(Notícia atualizada)

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