OCDE corta previsão de crescimento para Portugal e melhora para a Zona Euro

A OCDE alinhou as previsões de crescimento económico para Portugal com as das restantes instituições. A instituição vê as exportações a subirem pouco mais de metade do que via em novembro.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) cortou a previsão de crescimento para Portugal para este ano de 2,1% para 1,8%, revelou a instituição no Economic Outlook publicado esta terça-feira. No mesmo documento, a instituição liderada por Ángel Gurría reviu em alta a projeção para a Zona Euro em duas décimas para 1,2%. Apesar disso, a economia nacional continua a convergir com o bloco do euro.

As novas previsões para Portugal atualizam dados de novembro do ano passado. Com a projeção de um crescimento do PIB de 1,8% para 2019, a OCDE aproxima-se das restantes instituições e volta a colocar o Governo português na posição de o mais otimista quanto ao desempenho económico previsto para este ano. Isto apesar de há um mês, o ministro das Finanças ter cortado a previsão de crescimento económico de 2,2% para 1,9%.

Este corte nas previsões para Portugal coloca a projeção de Mário Centeno fora do intervalo das previsões prováveis. O mesmo era assinalado pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP) no parecer sobre o Programa de Estabilidade 2019-2023. “As previsões para 2019-2020 apresentadas no cenário em análise encontram-se dentro do intervalo das projeções consideradas”. “No entanto, excluindo o cenário da OCDE, que é o que incorpora menos informação atual (novembro/2018), as previsões do Ministério das Finanças quanto ao PIB em volume ficariam fora daquele intervalo de projeções.”

Ora, o valor avançado esta terça-feira pela OCDE é inferior ao do Governo, o que coloca a previsão do Executivo fora do intervalo apurado a partir das previsões do FMI, Comissão Europeia, Banco de Portugal, CFP e OCDE, que vai de 1,6% a 1,8%.

Ao mesmo tempo que corta na previsão para Portugal, a OCDE melhora a projeção para a área do euro, que agora vê a crescer 1,2%, acima dos 1% projetados em março. Apesar dos movimentos contrários, Portugal mantém-se a convergir com o bloco da moeda única.

Tanto em 2019 como em 2020. Para o próximo ano, a OCDE vê o PIB português a crescer 1,9%, acima dos 1,4% esperados para a Zona Euro.

Apesar de piorar as previsões para o crescimento, a instituição com sede em Paris vê a taxa desemprego para este ano ligeiramente melhor do que antecipava em novembro (6,3% contra 6,4%), mantendo assim a trajetória de descida, que se deverá prolongar para 2020, altura em que nas contas da OCDE chegará aos 5,9%.

Exportações crescem menos de metade do previsto. PIB sobe à boleia de fatores internos

“O consumo privado vai continuar a crescer em resultado do aumento persistente do emprego e, mais recentemente, da subida dos salários. O crescimento do investimento empresarial deverá permanecer robusto, apoiado no aumento dos lucros empresariais e de condições financeiras acomodatícias”, explica a OCDE.

As novas previsões apontam para um reforço do consumo privado face a novembro. Em meio ano, a instituição liderada por Gurría melhorou a previsão para o consumo das famílias de um crescimento de 1,8% para uma subida de 2,4%.

Esta revisão em alta é justificada no relatório da OCDE com o fim dos cortes nos salários do setor público (o descongelamento das progressões no Estado termina este ano), o novo aumento do emprego público e mudanças nos impostos, que “suportam o crescimento do rendimento disponível”.

A previsão para o investimento total na economia mantém-se num crescimento de 6% face à projeção de novembro. “O investimento vai ser impulsionado por uma maior absorção de fundos comunitários durante os próximos anos anos”, diz a OCDE, acrescentando que “reabilitar projetos de investimento público com um retorno económico maior é essencial dado o rápido envelhecimento da população e o crescimento lento da produtividade”.

“Contudo, o crescimento das exportações vai abrandar devido ao enfraquecimento na atividade económica dos principais parceiros comerciais de Portugal”, avisa a OCDE. As exportações deverão crescer este ano 2,4%. Há seis meses, a instituição via as vendas para o estrangeiro a subir 4,3%.

Já as importações deverão aumentar 4,1% este ano, um pouco abaixo dos 4,8% esperados em novembro passado, mas acima da subida esperada para as exportações.

Em consequência, a previsão quanto ao défice da balança corrente agrava-se para 1,1%. Em novembro último, a OCDE apontava para um défice corrente de 0,4% do PIB. Isto significa que, nas previsões da instituição, o saldo negativo desta balança quase duplica face aos 0,6% do PIB de 2018.

Previsões da OCDE para Portugal

 

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

OCDE corta previsão de crescimento para Portugal e melhora para a Zona Euro

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião