Dívida externa piora no primeiro trimestre

A riqueza produzida pela economia portuguesa no ano passado não chegou para pagar a totalidade da dívida acumulada pelo conjunto dos agentes económicos junto do exterior.

A dívida externa atingiu 101,1% do PIB em março, o que se traduziu numa degradação face ao valor do final de 2018, que foi de 100,8% do PIB, revelou esta terça-feira o Banco de Portugal.

“No final de março de 2019, a Posição de Investimento Internacional (PII) de Portugal situou-se em -205,3 mil milhões de euros, o que traduz uma variação negativa de aproximadamente 2,1 mil milhões de euros em relação ao final de 2018”, escreve o banco central numa nota de informação estatística.

A dívida externa da economia é apurada através da PII e mede o endividamento do conjunto dos agentes económicos: empresas, famílias e Estado. Assim, a dívida externa resulta da diferença entre o que o país deve ao estrangeiro e o que tem a haver do estrangeiro e é uma soma dos défices acumulados ao longo do tempo até 2018.

Este valor em percentagem do PIB pode ainda sofrer um ajustamento, já que o Banco de Portugal usou a informação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o PIB nominal e que resulta da estimativa rápida publicada a 15 de maio. Só a 31 de maio haverá valores mais definitivos para o PIB nominal referente ao primeiro trimestre do ano.

O Banco de Portugal explica que o agravamento da dívida externa deve-se ao “impacto negativo das transações (-0,7 mil milhões de euros) e das variações de preço (-2,6 mil milhões de euros), que foi parcialmente compensado pelas variações cambiais (+0,5 mil milhões de euros) e pelos outros ajustamentos (+0,7 mil milhões de euros)”.

“As variações de preço tiveram um impacto negativo sobre a PII devido à valorização de passivos, nomeadamente de empresas residentes detidas por não residentes, e das Obrigações de Tesouro na carteira de não residentes. No caso das variações cambiais, verificou-se a apreciação do dólar, com impacto no aumento do valor em euros dos ativos denominados naquela divisa detidos por residentes”, acrescenta o banco central.

(Notícia atualizada)

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