Portugueses agarrados ao telemóvel. Usam mais internet e falam mais minutos, mas enviam menos SMS

Os portugueses estão cada vez mais "viciados" no telemóvel. Estão mais adeptos da internet móvel, nunca consumiram tantos dados por mês e fazem mais chamadas. Mas os SMS estão a cair em desuso.

O telemóvel é cada vez mais indispensável na vida dos portugueses. Os dados revelados pela Anacom mostram que nunca houve tantos utilizadores de internet móvel e que nunca se consumiram tantos dados móveis como agora. As chamadas de voz também estão a ganhar popularidade, enquanto as SMS continuam a cair em desuso.

No final de 2018, mais de 73 em cada 100 habitantes tinha internet móvel, o valor mais elevado registado até à data. O regulador explica a tendência com o “aumento dos utilizadores de internet no telemóvel”, uma subida de 7,8% face a 2017, numa altura em que 79,5% dos portugueses tem um telemóvel. A elevada penetração da internet móvel também está relacionada com o “desenvolvimento das aplicações móveis”.

Outra prova de que a banda larga móvel veio para ficar é que os portugueses usam, em média, 2,99 GB de dados por mês, um máximo histórico. É um aumento de 21,9% face à média apurada em 2017.

E se a internet móvel está em alta no setor das telecomunicações em Portugal, o mesmo se verifica nas chamadas de voz. “O tráfego de voz móvel atingiu, em 2018, o valor mais alto contabilizado até ao momento, tendo crescido 5,9% face a 2017, em termos de minutos”, refere o regulador. No ano passado, os portugueses falaram, em média, 200 minutos por mês ao telemóvel, mais 9 minutos do que em 2017.

No entanto, as mensagens de texto seguem em contraciclo. Apesar de a Anacom ainda não ter atualizado os dados relativos às aplicações que permitem enviar mensagens através da internet, como o Messenger e o WhatsApp, os números publicados esta terça-feira mostram que, no ano passado, os portugueses enviaram menos 3,2% SMS do que em 2017. Ainda assim, a queda é “inferior à redução média dos últimos anos”.

Portugueses põem cada vez mais fibra em casa

No segmento residencial, os portugueses continuam a deixar as tecnologias mais antigas, como o ADSL, e a migrar para redes de alta velocidade assentes em tecnologia nova, como a fibra ótica, que permite aceder a mais serviços e a débitos mais altos, de acordo com a Anacom.

A este facto não é alheio o aumento de alojamentos cablados com redes de alta de velocidade, que atingiram os 5,1 milhões em território nacional no final de 2018, valor que representa uma cobertura de 81,2% do país. Deste valor, 4,7 milhões representam casas cabladas com fibra ótica, um crescimento de 11,5% face a 2017. Isto permitiu que os clientes residenciais de serviços de alta velocidade tivessem aumentado 10,9% em 2018, para 2,5 milhões de clientes.

A fibra ótica conseguiu ser a “principal forma de acesso à internet em banda larga fixa”, com uma quota de 45,2%, existindo 1,7 milhões de clientes de fibra em Portugal. A fibra foi ainda “a forma de acesso que mais contribuiu para o crescimento do número de acessos”, reflexo dos esforços das três principais operadoras em cobrir o país com fibra e aumentar o portefólio de clientes com esta tecnologia.

“O cabo e o ADSL representavam 31,2% e 16% dos acessos à internet em banda larga fixa, respetivamente. O LTE [4G] em local fixo representou 7,5% do total de acessos. Em 2018 intensificou-se a tendência de queda do número de acessos através de ADSL, tendo estes diminuído 19,1%”, refere a entidade liderada por João Cadete de Matos.

Contas feitas, o número de acessos de banda larga fixa cresceu 59% em 2018, para 3,8 milhões no final de 2018. Este aumento, no entanto, representou uma desaceleração face ao ritmo médio de crescimento anual dos últimos quatro anos. Ainda assim, a penetração do serviço ficou 1,1 pontos percentuais acima da média da União Europeia.

Em casa, os portugueses consumiram uma média mensal de 107,1 GB, que também é um máximo histórico. “Nos mercados do serviço de acesso à Internet em banda larga fixa, estão presentes quatro entidades com quotas relevantes: a Meo (40%), o grupo Nos (36,7%), a Vodafone (19,2%), que foi a entidade cuja quota mais cresceu em 2018, e o grupo Nowo/Onitelecom (3,9%)”, conclui o regulador.

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