Bloco responde à nova proposta do PS: “É um erro” Lei de Bases da Saúde admitir PPP

Bloco de Esquerda acredita que ainda será possível negociar e convencer o PS a deixar cair da lei de bases a possibilidade de a gestão dos hospitais públicos ser entregue a privados.

A nova proposta do PS sobre a Lei de Bases da Saúde “parece dar alguns passos”, mas mantém, “por uma obstinação”, a possibilidade de a gestão dos hospitais públicos ser entregue a privados. Uma opção, que para a líder do Bloco de Esquerda, “é um erro”.

Foi desta forma que Catarina Martins reagiu à nova proposta apresentada esta terça-feira pelo PS para tentar desbloquear o impasse na Lei de Bases da Saúde. O PS sugere que as Parcerias Público-Privadas (PPP) na Saúde sejam usadas apenas em “situações excecionais”, que terão de ficar demonstradas em lei própria. Uma lei que será regulamentada em 180 dias. Ou seja, para chegar a um acordo à esquerda, o PS atira para a próxima legislatura o encerramento completo do dossiê.

Mas para o Bloco de Esquerda não chega, porque “parece estar tudo na mesma”. A líder bloquista, em declarações transmitidas pela RTP3 disse, claramente, que o Bloco se “opõe” a que a gestão dos hospitais públicos seja entregue a privados, tendo em conta “os resultados nos hospitais e em todos os serviços públicos em que acontecem estes fenómenos de privatização”, ironizou Catarina Martins.

O que o Bloco sugeriu ao PS é que se retire da Lei de Bases uma norma — incluída pelo próprio PS — que admite essa possibilidade, porque para o BE a gestão dos hospitais públicos só pode ser pública. “Propusemos deixar essa matéria, na qual não estamos de acordo, para a próxima legislatura”, explicou.

A nova proposta do PS parece dar alguns passos”, admitiu Catarina Martins, que entende que esta surge no decurso do apelo do Bloco. “Mas mantém a ideia de que só aceita a Lei de Bases se prever expressamente que os hospitais públicos podem ter gestão privada. Isso é um erro. O apelo que fazemos é que seja possível continuarmos a construir juntos”, resumiu.

O que não faz sentido é não haver uma Lei de Bases da Saúde por uma obstinação do PS de ter PPP na saúde.

Catarina Martins

Líder do Bloco de Esquerda

E o Bloco garante que “mantém toda a abertura para negociar a redação” da Lei de Bases, cuja votação voltou a ser adiada por uma semana. “O que não faz sentido é não haver uma Lei de Bases da Saúde porque o PS só aceite uma que aceite expressamente a gestão privada dos hospitais públicos, por uma obstinação de ter PPP na saúde”, disse Catarina Martins, frisando que todos estão de acordo em contratualizar com os privados quando o SNS ou com o setor social não tem capacidade de resposta”.

“E se não chegarmos a acordo então, na próxima legislatura que se faça uma lei que diga se é possível ou não entregar a gestão dos hospitais públicos a privados. O BE será sempre contra essa ideia“, disse lembrando que é essa a promessa que o partido fez ao seu eleitorado. “Mas as pessoas vão ter oportunidade de votar. Haverá eleições e haverá uma nova maioria”, concluiu.

(Notícia em atualização)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Bloco responde à nova proposta do PS: “É um erro” Lei de Bases da Saúde admitir PPP

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião