“Portugal teve sorte até agora e seria triste se parasse de crescer”, diz antigo economista-chefe do FMI

  • Lusa
  • 20 Junho 2019

Olivier Blanchard afirmou que Portugal “tem tido sorte”, apesar do aumento da produtividade ser “terrível”, e ficaria preocupado se a consolidação orçamental penalizasse o crescimento económico.

O antigo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirmou, em entrevista à Lusa, que Portugal “tem tido sorte”, apesar do aumento da produtividade ser “terrível”, e ficaria preocupado se a consolidação orçamental penalizasse a procura interna e o crescimento económico.

“Acho que Portugal teve sorte até agora. O país teve um crescimento aceitável e conseguiu-o ao mesmo tempo que reduziu a dívida. Se Portugal conseguir continuar a fazê-lo, então deve ir em frente. Acho que o importante é manter o crescimento”, afirmou Olivier Blanchard, em entrevista à Lusa, à margem do Fórum do Banco Central Europeu (BCE), que decorreu esta semana em Sintra, e que terminou na quarta-feira.

O antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) contou à Lusa que escreveu um artigo sobre Portugal há dois anos no qual antecipava um cenário mais difícil para Portugal. Mas, o desempenho do país “foi melhor que o previsto, o que é uma má notícia para mim, mas uma boa notícia para Portugal”, afirmou, sublinhando que “neste momento seria triste se Portugal parasse de crescer”.

" O país teve um crescimento aceitável e conseguiu-o ao mesmo tempo que reduziu a dívida. ”

Olivier Blanchard

“Se houvesse uma consolidação orçamental demasiado forte que abrandasse a procura [interna] e fizesse parar o crescimento económico, nesse caso preocupava-me”, frisou, acrescentando que nesta fase Portugal parece capaz de continuar a crescer sem medidas de apoio à economia, e, “enquanto for o caso, deve continuar”.

Em entrevista à Lusa, o economista francês, atualmente no Peterson Institute for International Economics, sublinhou também que o principal fator crítico para Portugal neste momento é o crescimento, elogiando a descida do desemprego.

A boa notícia em Portugal é a diminuição do desemprego, que é uma notícia muito boa, mas vem em parte do facto de não existir um grande crescimento da produtividade”, alertou.

Para Olivier Blanchard, “as boas notícias sobre o desemprego têm um outro lado da medalha, que é a má notícia sobre o crescimento da produtividade”, que, no seu entender, “tem sido terrível”.

O Instituto do Emprego e Formação Profissional revelou na quarta-feira que o número de desempregados inscritos foi de 305.200 em maio, o valor mais baixo em 28 anos, representando uma descida de 12,9% face ao mesmo período de 2018.

Questionado sobre o que pode Portugal fazer para impulsionar a economia e melhorar as condições de vida dos cidadãos, Olivier Blanchard respondeu, na entrevista à Lusa, que “não existe segredo” e que “quando se quer aumentar a riqueza das pessoas, uma das coisas de que se precisa é de crescimento [económico]”.

Portugal tem que pensar seriamente sobre como aumentar a produtividade. Diria que este é o fator número um para o país”, afirmou. A sexta edição do Fórum do BCE e último com Mario Draghi na liderança decorreu esta semana, em Sintra, e terminou na quarta-feira, sob o mote dos 20 anos da Zona Euro. O evento reuniu governadores dos bancos centrais, académicos, decisores políticos e especialistas do mercado financeiro para trocar perspetivas sobre as principais questões de política monetária.

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