Menos bancos nos transportes? É a “otimização” do espaço, diz secretário de Estado da Mobilidade

  • Lusa
  • 27 Junho 2019

Retirar bancos nos transportes públicos "é uma prática internacional" e no caso do Metropolitano de Lisboa já vem de 2017, aponta o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade.

O secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, defendeu que medidas como a retirada dos bancos de transportes públicos é “uma otimização” para criar espaço num período em que a procura aumentou.

A retirada dos bancos “é uma prática internacional” e no caso do Metropolitano de Lisboa, já vem de 2017: “em viagens curtas, as pessoas podem ir de pé e os carrinhos de bebé e malas para o aeroporto não tinham espaço e limitavam o acesso aos outros passageiros”, afirmou em declarações à Lusa.

“Aumentar a capacidade é uma otimização”, argumentou, acrescentando que “não é mau que a procura pressione a oferta, para a oferta aparecer”, à margem da apresentação de um concurso para autarquias que promovam serviços de mobilidade dirigidos às necessidades de género.

“Mais procura é mais pessoas a pagar transporte. Se o transporte é um negócio como outro qualquer, de certeza que a oferta vai aparecer para satisfazer essa procura”, considerou. Da parte do Estado, está a “reforçar a oferta em vários modos de transporte”, a “comprar mais navios, a renovar navios para aumentar capacidade, a comprar e renovar mais autocarros”.

Quanto à dimensão social no planeamento, indicou o apoio à compra de 709 autocarros com piso rebaixado e plataformas para cadeiras de rodas, defendendo que o selo Move+ pode levar a mais “boas práticas e um transporte mais inclusivo” das autarquias.

Para responder a necessidades específicas das mulheres, a “transparência e iluminação” já são requisitos no desenho de estações, porque “o assédio existe”, e já há dinheiro para serem criados espaços para crianças com fraldários em estações de transporte.

A investigadora Mónica Lopes, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, apontou dados que analisou sobre a dimensão de género na mobilidade, com a maioria das mulheres envolvidas “numa cadeia de tarefas mais complexa”, com viagens a mais sítios, mais acompanhadas [de crianças ou idosos, em muitos casos], num registo “multifunções”.

Há menos mulheres com carta de condução do que homens e cerca de 70% das mulheres usam transportes públicos, com necessidade de mais espaço nos transportes e mais dependentes de horários e regularidade dos transportes. A tendência é de mais mulheres a levarem filhos às escolas, atividades extracurriculares, consultas, atividades de entretenimento, enquanto os homens predominam no uso do automóvel, com “viagens pendulares [geralmente, casa-trabalho-casa] mais longas, mas menos por dia”.

A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, assinalou que o concurso Move+ servirá para dar “mais visibilidade” a iniciativas das câmaras que reconheçam os “usos diferentes do espaço e dos recursos por homens e mulheres” e as necessidades de pessoas com dificuldades de mobilidade, como os iodos e deficientes.

O Instituto de Mobilidade e dos Transportes recebe candidaturas de 01 de julho a 30 de setembro de autarquias individuais ou associadas. Serviços de transporte de idosos a consultas, organização de partilhas de carro e boleias entre vizinhos, criação de plataformas eletrónicas para evitar deslocações a serviços são algumas das iniciativas que poderão valer um selo Move+.

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