DBRS coloca Açores um nível acima de “lixo” na primeira avaliação à região

A agência canadiana considera que o nível de dívida dos Açores "é elevado" e alerta para o efeito negativo que os fracos resultados financeiros da SATA têm sobre o rating da região autónoma.

Depois da Fitch, agora é a vez de a DBRS iniciar a cobertura da dívida da região Autónoma dos Açores. Colocou-a em grau de investimento, mas apenas um nível acima do ‘lixo’, com a notação de “BBB” (low) com perspetiva estável. Esta avaliação surge num momento em que a região autónoma está a preparar o lançamento de uma emissão de dívida de 223,5 milhões de euros.

O objetivo dos Açores será emitir obrigações a dez anos, segundo a Bloomberg, estando a concretização da operação e o preço sujeito às condições de mercado. O Beka Finance e o Credit Agricole CIB serão os bancos envolvidos na operação

A agência canadiana considera que o nível de dívida dos Açores “é elevado”, mas está a aumentar “apenas marginalmente”, mas alerta para os “desafios estruturais” que a região enfrenta, nomeadamente a companhia aérea SATA. O facto de a companhia aérea, detida a 100% pela região, “continuar a apresentar fracos resultados financeiros” “pesa na solvabilidade da região” e “continua a ser uma preocupação para a DBRS”, sublinha o comunicado enviado esta sexta-feira às redações.

Tal como a Madeira, a que a agência de notação financeira atribui um rating de “BB” positivo, “o posicionamento geográfico” dos Açores, “como arquipélago no Oceano Atlântico, também constitui um desafio ao perfil de crédito da região”, defende a DBRS que alerta que o rating poderia ficar sob pressão caso a região deixe derrapar o défice que terá como consequência o agravamento do rácio da dívida. Mas o desempenho financeiro das empresas da região — cujo nível de endividamento ascende a 227% das receitas operacionais da região no final de 2018 — também pode comprometer o nível de investimento que os Açores conquistaram, nomeadamente se forem acionadas garantias ou se houver um enfraquecimento da relação entre o governo regional e o Governo central.

A DBRS reconhece que o aumento do nível de endividamento das empresas regionais se deve despesas de capital e não a um aumento das despesas operacionais, o que “de alguma forma mitiga o risco”.

Mas a região autónoma tem vários pontos a seu favor, nomeadamente o “sólido crescimento económico desde 2015”, alavancado pelo turismo, “com uma taxa de crescimento anual de 2,5%, marginalmente superior aos 2,2% do crescimento nacional no mesmo período”, escreve a DBRS. E o rating até pode subir caso se “materialize algum destes fatores ou uma combinação de vários”: redução do endividamento e risco de exposição às empresas regionais, uma melhoria dos indicadores económicos e se uma maior diversificação da economia ou um estreitar de laços entre o o governo regional e central. Além disso, qualquer revisão em alta do rating da República — classificado com “BBB” positivo pela agência –, terá um efeito positivo na notação financeira da região.

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