Pessoas são prioridade na estratégia imobiliária das empresas

  • Ricardo Vieira
  • 16 Julho 2019

As características de um edifício, os serviços que tem agregado, bem como as experiências que podem proporcionar aos colaboradores são mais importantes do que o preço que se paga pelo imóvel.

O envolvimento dos colaboradores (68%) e atrair e reter talento (65%) são mais importantes na estratégia imobiliária de uma empresa do que a redução de custos. Os dados foram retirados do relatório Occupier Survey 2019, divulgado pela CBRE (empresa de serviços imobiliários), que contou com a participação dos responsáveis pelo imobiliário de mais de 100 empresas.

As pessoas passaram a ser determinantes na tomada de decisões imobiliárias, resultado bem distinto dos resultados de 2018, em que a redução de custos era a principal mobilizadora na estratégia imobiliária das empresas.

Duarte Cardoso Ferreira, diretor de arquitetura e gestão de projetos da CBRE, afirma que “o desafio enfrentado atualmente pelos ocupantes é perceber como a procura, arquitetura e gestão de diferentes localizações podem funcionar a favor da otimização do capital humano. Estes desafios são ainda mais cruciais em determinadas áreas, especialmente as que precisam de atrair talento digital ou data scientists, que são escassos e cuja procura é grande”.

De acordo com o Occupier Survey 2019, os principais vetores estratégicos, através dos quais as empresas procuram maximizar a sua proposta de valor através do imobiliário como forma de influenciar e atrair recursos qualificados, são:

  1. Procurement e estratégia de fit-out
    Os resultados mostram que os ocupantes são cada vez mais influenciados pelas características interiores dos seus escritórios. Quase 60% estaria disposto a pagar mais 10% por um edifício que oferecesse serviços de apoio diferenciados, de alta qualidade e evoluído em termos tecnológicos.
  2. Procura de soluções de espaços flexíveis
    O desejo das organizações por espaços flexíveis continua a crescer, prevendo-se que seja, nos próximos três anos, 20% maior do que atualmente. O uso de espaço flexível como meio de atrair e reter talento subiu 10% em relação ao ano passado, assim como o número crescente de empresas focadas na utilização de espaços flexíveis para experimentar modelos de trabalho e ocupação diferenciadores.
  3. Estratégia para potenciar a experiência do utilizador
    Aqui cabem os programas que as empresas desenvolvem para satisfazer todas as necessidades dos colaboradores no local de trabalho.
    Uma em cada três empresas tem um programa de experiência de utilizador ou planeia introduzir um. Além disso, mais de 30% dos inquiridos planeia contratar um responsável para se dedicar a esta área e mais de 60% pagaria mais por um edifício que disponibilizasse um programa reforçado de experiência de utilizador.
  4. Abordagem tecnológica
    70% das empresas pretende aumentar o nível de investimento em tecnologia aplicada ao imobiliário nos próximos anos, com um maior enfoque nas pessoas. “Os métodos para atingir estes fins, como a contratação de data scientists, são cada vez mais sofisticados, com as empresas a preparem-se para uma vasta gama de abordagens, que incluem o outsourcing de especialistas”, lê-se em comunicado.

O estudo mostra também que mais de 30% das empresas (o dobro em relação a 2018) assumem a escassez de oferta de espaços de escritórios e a dificuldade em encontrar as competências adequadas como um desafio estratégico. Em linha com os resultados do ano anterior, a disrupção da tecnologia (36%), a incerteza económica (43%) e o agravamento dos custos (31%) são também considerados grandes desafios pelos inquiridos.

“O Occupier Survey conclui ainda que as estratégias relacionadas com as competências dos colaboradores, a adequação dos espaços de trabalho às atividades desenvolvidas e os serviços associados aos edifícios estão a convergir, devendo ser vistas de forma integrada, e aponta a necessidade de haver maior colaboração entre todas as equipas na definição da estratégia imobiliária”.

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