“Ninguém entende porque se faz greve em 2019 sobre aumentos salariais de 2021 e 2022.” Costa fala em “sentimento nacional de revolta”

O primeiro-ministro ainda tem esperança de que a greve dos motoristas pode ser cancelada na próxima segunda-feira. António Costa fala em "revolta" e "incompreensão" dos portugueses.

O primeiro-ministro ainda acredita que as negociações da próxima segunda-feira irão permitir travar a greve dos motoristas agendada para 12 de agosto. Isto porque, segundo António Costa, “há um claro sentimento nacional de revolta e de incompreensão”.

“Ninguém de bom senso compreende porque é que se faz uma greve em 2019 sobre aumentos salariais de 2021 e 2022”, referiu o líder do Governo, em declarações a partir de Loulé, transmitidas pela SIC Notícias, depois de uma reunião com o Presidente da República. “Já estão acordados aumentos salariais de 250 para janeiro de 2020”, recordou.

O chefe do Governo disse ainda acreditar “no bom senso”. “Se efetivamente as pessoas estão de boa-fé neste processo, como é que é possível não se entenderem quando já se entenderam relativamente ao que vai acontecer em janeiro de 2020?”, interrogou-se o primeiro-ministro.

Contudo, e tal como os sindicatos têm referido, no seu entender, o que está em causa não são aumentos em 2021 e 2022. Antes o resultado final das negociações, que empurrou para esses anos parte dos aumentos exigidos pelos camionistas. “Atente-se a um ponto muito importante: nós não estamos a paralisar por aumentos em 2021, não é isso. Nós exigimos 900 euros de vencimento base já em janeiro e o que se negociou foi ter 700 euros em 2020 e dar tempo para as empresas, até 2022, chegar aos 900 euros”, conforme explicou o presidente do sindicato esta sexta-feira.

A greve dos motoristas, que abrange também os motoristas que transportam matérias perigosas, está marcada para 12 de agosto e poderá criar dificuldades no abastecimento de combustível nas gasolineiras, entre outros efeitos adversos. Por isso, o Governo admite adotar “todas as medidas até ao limite do que a lei e a Constituição permitem” para mitigar o impacto da greve na vida dos portugueses.

Os representantes dos motoristas vão ser recebidos esta segunda-feira de manhã, no Ministério das Infraestruturas e Habitação, para mais uma tentativa de alcançar um acordo com a Antram — que, todavia, diz não voltar a negociar enquanto o pré-aviso de greve estiver em vigor. Uma última tentativa para evitar a greve, que foi marcada por tempo indeterminado em plenas férias de verão dos portugueses.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Ninguém entende porque se faz greve em 2019 sobre aumentos salariais de 2021 e 2022.” Costa fala em “sentimento nacional de revolta”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião