BCP afunda pela oitava sessão. Já anulou todos os ganhos do ano

Banco liderado por Miguel Maya tem sido pressionado esta semana pelas perspetivas de redução na margem financeira. Investimento já passou a linha vermelha no acumulado do ano.

Após fortes ganhos no primeiro semestre do ano, as últimas semanas têm sido de queda acentuada para o banco liderado por Miguel Maya. Com o títulos a negociarem abaixo dos 22,40 cêntimos, a cotada já anulou todos os ganhos do ano. Há nove meses que as ações do BCP não valiam tão pouco.

A recuperação financeira do banco — em especial o regresso aos lucros, o pagamento de dividendos e a limpeza do malparado do balanço — animaram os investidores. A 16 de julho, as ações fechavam a sessão nos 28,89 cêntimos, o valor mais elevado em 2019 e que compara com os 22,95 cêntimos em que tinha fechado o ano anterior.

As perspetivas eram positivas e os bancos de investimento reviam em alta as recomendações. Mas depois chegou Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), e avisou que a desaceleração económica pedia estímulos adicionais. Por toda a Zona Euro, os bancos começaram a antecipar uma descida nas taxas de juro que lhes penalizasse as margens financeiras.

Miguel Maya anunciava, na segunda-feira na apresentação de resultados, esperar que os últimos três meses do ano sejam “desafiantes”, apontando para a evolução das perspetivas da política monetária como um fator com “impacto importante”. No semestre, os lucros aumentaram de 12% para 170 milhões de euros, enquanto a margem financeira subiu 7,6% para 740 milhões de euros.

Mas a melhoria nas contas não chegou para entusiasmar. Todo o setor financeiro está sob pressão (até porque além do BCE, já estava em cheque com uma série de reestruturações na Europa) e a tentar encontrar formas de manter a rentabilidade.

O BCP já está a contactar alguns clientes institucionais, avisando que vai começar a cobrar-lhes uma nova comissão, no valor da taxa a que o banco central remunera os depósitos (-0,40%). O UBS e o Credit Suisse também já anunciaram que vão aplicar taxas negativas nos depósitos dos maiores clientes (o que é proibido em Portugal).

Os investidores parecem, no entanto, querer esperar para ver. Graças ao tombo de 3,56% para 22,22 cêntimos esta sexta-feira (para o valor mais baixo desde 29 de outubro de 2018) e a cair há oito sessões consecutivas, o BCP acumula uma desvalorização de 2,5% no acumulado do ano. O índice europeu que agrega os maiores bancos cai quase 4% este ano, enquanto o PSI-20 ainda está positivo com um ganho superior a 4%.

BCP desvaloriza 22% desde o máximo de julho

Trump afunda bolsas europeias

O BCP não foi, no entanto, a única cotada a cair na sessão. O vermelho predominou por todo o índice PSI-20, que fechou a perder 2,19% para 4.903,80 pontos, em linha com as principais praças europeias. Foi o pior desempenho desde 10 de outubro, igualando o registo dessa sessão. A Galp também afundou 4,03% para 13,45 euros, penalizada pelo tombo, na última sessão, dos preços do petróleo.

As cotadas mais expostas aos mercados internacionais foram as mais penalizadas. No papel, a Altri caiu 3,52% para 5,48 euros, a Navigator desvalorizou 3,59% para 2,89 euros e a Semapa recuou 0,50% para 11,90 euros. A construtora Mota-Engil perdeu 4,77% para 1,73 euros.

Em sentido contrário, a EDP Renováveis escapou às perdas do índice. Depois de a agência Fitch ter feito uma avaliação positiva da execução do plano estratégico de António Mexia até 2022, a eólica somou 0,32% para 9,41 euros.

Lisboa acompanha perdas da Europa

A principal causa para o sentimento negativo a nível global foi a nova subida de tensão na guerra comercial. O presidente norte-americano Donald Trump anunciou no Twitter que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir de 1 de setembro.

Com esta decisão, as alfândegas norte-americanas passam a cobrar taxas sobre todos os produtos oriundos da China. Decisão já mereceu críticas de Pequim, mas também a preocupação mundial. Receios de que este clima de tensão tenha um forte impacto no crescimento da economia mundial castigaram o petróleo e as ações.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou a cair 2,4%, enquanto o alemão DAX recuou 2,9%, o francês CAC 40 tombou 3,6%, o espanhol IBEX 35 perdeu 1,6%, o italiano FTSE MIB desvalorizou 2,4% e o britânico FTSE 100 cedeu 2,4%.

Em sentido contrário, os receios aumentaram a procura por dívida e, consequentemente, levaram a uma quebra nas yields. Toda a dívida alemã até aos 30 anos entrou, esta sexta-feira, em terreno negativo. O juro da dívida portuguesa a dez anos negociou nos 0,299%, aproximando-se do mínimo histórico de 0,278% tocado a 3 de julho.

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