CMVM espera mais esclarecimentos sobre compra da TVI. Cofina e Media Capital continuam suspensas na bolsa

As ações da Cofina e da Media Capital continuam suspensas na bolsa, um sinal de que a CMVM ainda espera mais detalhes acerca das negociações para a compra da TVI pela dona do Correio da Manhã.

As ações da Cofina e da Media Capital continuam suspensas na bolsa de Lisboa, apesar de o grupo de media que detém o Correio da Manhã já ter confirmado ao mercado que está mesmo a negociar com a Prisa a compra da TVI. A suspensão foi imposta na quarta-feira pela CMVM, pouco antes do fecho da sessão, depois de uma notícia do Expresso com detalhes sobre as negociações entre as duas empresas. Um sinal de que o regulador poderá estar à espera de mais informações.

"Nos termos da lei, a suspensão de negociação mantém-se pelo temo estritamente necessário à regularização da situação que lhe deu origem.”

Fonte oficial da CMVM

Por norma, quando a CMVM suspende a negociação de uma dada ação na bolsa, enquanto espera pela divulgação de informação concreta por parte da empresa visada, essa suspensão é levantada após um comunicado da companhia a explicar a situação. Mas não foi o caso. Perto das 15h00 de quinta-feira, os títulos das duas empresas continuavam sem poder negociar no mercado.

Ao ECO, fonte oficial da CMVM confirmou que os títulos se mantêm suspensos. E acrescentou que, “nos termos da lei, a suspensão de negociação mantém-se pelo temo estritamente necessário à regularização da situação que lhe deu origem”. Ou seja, por outras palavras, será do entendimento do supervisor que a Cofina ainda não prestou todos os esclarecimentos necessários para que o levantamento seja feito.

O Expresso noticiou esta quarta-feira que o grupo de Paulo Fernandes assinou com a Prisa um memorando de entendimento que formaliza o interesse do grupo na dona da TVI. Esse memorando foi assinado há três semanas e dá à Cofina a exclusividade nas negociações daquele ativo, depois da venda falhada da Media Capital à Altice Portugal. Ao final do dia, a Cofina confirmou, num comunicado à CMVM, estar mesmo em negociações para a compra da TVI.

Resta a dúvida acerca do que ainda falta para que os títulos da Cofina e da Media Capital possam livremente negociar no mercado. De recordar também que, após a notícia do Expresso, antes da suspensão das ações das duas empresas, os títulos da Cofina estavam a subir quase 7% em bolsa.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CMVM espera mais esclarecimentos sobre compra da TVI. Cofina e Media Capital continuam suspensas na bolsa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião