Like & Dislike: De Simone Veil até chegar a Elisa Ferreira

Entre Pedro Marques e Elisa Ferreira, a escolha de Ursula von der Leyen era óbvia. Faz lembrar uma história engraçada com Simone Veil.

Simone Veil, Ursula von der Leyen e Elisa Ferreira. O que é que estes três nomes têm em comum?

Simone Veil foi a primeira mulher eleita para ser presidente do Parlamento Europeu (79-82). Ursula von der Leyen foi a primeira mulher a ser escolhida para presidente da Comissão Europeia. Elisa Ferreira é a primeira mulher a ocupar a cadeira reservada a Portugal no colégio dos comissários europeus.

A confirmação oficial chegou esta terça-feira: “O primeiro-ministro comunicou à presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o nome de Elisa Ferreira para integrar o colégio de Comissários da próxima Comissão Europeia”.

O primeiro-ministro apostou todas as fichas em Pedro Marques, um dos seus delfins no partido. Na noite em que ganhou as europeias, Costa abriu o jogo: “Se a pergunta é saber se o Pedro Marques tem condições para ser comissário europeu, creio que é evidente para todos que Pedro Marques tem qualidades para ser o que desejar ser, em Portugal ou na Europa”.

Mas se tirássemos a Pedro Marques o cartão partidário e a amizade com António Costa, facilmente se percebia que não tinha condições. Não tem trabalho feito na Europa, não se lhe conhece um pensamento europeu, foi um ministro das Infraestruturas sofrível e fez uma campanha como cabeça de lista às europeias medíocre.

Basta imaginar Ursula von der Leyen a entrevistar o acanhado Pedro Marques e a experiente Elisa Ferreira para se perceber para que lado ia pender a escolha da presidente da Comissão Europeia. Elisa Ferreira não caiu no colégio de comissários de paraquedas. Claro que ser socialista também ajuda: aliás, esta é a segunda vez (depois de António Vitorino) que o PS vai poder escolher um comissário europeu. Os outros foram todos escolha do PSD: António Cardoso e Cunha, João de Deus Pinheiro e Carlos Moedas. E tiveram Durão Barroso na presidência durante 10 anos.

Além de socialista, e de ter currículo e trabalho feito na Europa durante 12 anos, sobretudo nas áreas da união bancária e na agenda climática, Elisa Ferreira teve a seu favor o facto de ser mulher.

A alemã Ursula von der Leyen desafiou todos os Estados-membros a apresentarem um nome de um homem e de uma mulher, de forma a conseguir fazer uma comissão paritária. Portugal foi um dos poucos a fazê-lo. Se calhar, graças a isso, vai conseguir uma pasta relevante.

Quando Ursula von der Leyen fez o seu discurso no Parlamento Europeu, ainda como candidata a presidente da Comissão, lembrou que “desde 1958 a Europa já teve 183 comissários. Apenas 35 foram mulheres. Isso é menos do que 20%”. Num discurso inspirador, Ursula disse aos eurodeputados que “nós [as mulheres] representamos metade da população e exigimos uma quota justa”.

Esse discurso em Estrasburgo começou com Ursula a invocar o nome de Simone Veil, a primeira mulher a liderar o Parlamento Europeu. Veil é uma sobrevivente do holocausto (os pais e o irmão morreram nos campos de concentração) e usou a experiência traumática de Auschwitz para transformar a ideia de uma Europa Unida numa causa de vida. Antonio Tajani, ex-presidente do Parlamento Europeu, fez-lhe uma homenagem onde a apelidou de “consciência da Europa”.

A escolha de Elisa Ferreira faz lembrar uma história engraçada que se conta de Simone Veil. Quando Valéry Giscard d’Estaing se tornou presidente de França, em abril de 1974, foi fazer uma visita à casa dos Veil com o objetivo de convidar Antoine Veil para fazer parte do seu Governo. Depois de uma amena cavaqueira com o casal, Valéry Giscard decidiu convidar não o marido, mas a mulher para ser ministra.

Pedro Marques chegou ao gabinete de Ursula von der Leyen como o preferido e com o selo de candidato oficial, mas a nova presidente da Comissão Europeia escolheu, e bem, Elisa Ferreira.

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