Saída de Elisa Ferreira reduz leque de candidatos ao Banco de Portugal

A vice-governadora do Banco de Portugal foi um dos quatro nomes dados por António Costa a Ursula von der Leyen para comissário europeu. Potenciais sucessores de Carlos Costa são cada vez menos.

Depois de há um ano não ter avançado com uma candidatura para a liderança do Mecanismo Europeu de Supervisão do Banco Central Europeu, Elisa Ferreira é um dos quatro nomes dados por António Costa como potenciais representantes de Portugal a Ursula von der Leyen na próxima Comissão Europeia, o que deixa ainda mais reduzido o leque de candidatos à sucessão de Carlos Costa no Banco de Portugal no próximo verão.

António Costa e Ursula von der Leyen ainda não decidiram quem será o próximo comissário português. A presidente eleita tem de fazer uma ginástica complicada para escolher que pastas serão atribuídas a cada país, de acordo com o perfil dos nomeados pelos países da União Europeia, e ainda conseguir a Comissão paritária que prometeu no Parlamento Europeu.

Nesse sentido, Ursula von der Leyen pediu a todos os países que apresentassem dois nomes: um homem e uma mulher. Nem todos o fizeram, mas, de acordo com a Agência Lusa, Portugal apresentou quatro nomes para o lugar, entre eles dois homens e duas mulheres. Segundo o Público, dois desses candidatos já foram ouvidos pela presidente da Comissão Europeia: Pedro Marques e Elisa Ferreira.

Elisa Ferreira, que tem uma vasta experiência europeia nas pastas mais financeiras, tendo estado no desenvolvimento da União Bancária enquanto eurodeputada (entre outros temas de relevo), perfila-se como uma candidata forte ao lugar de comissária. Mas, a ser a escolhida, a socialista deixará vaga uma posição de vice-governadora do Banco de Portugal e ainda reduzirá o leque de candidatos à sucessão de Carlos Costa, que termina o seu segundo mandato no verão de 2020.

Carlos Costa foi alvo de muitas críticas ao longo do seu segundo mandato por membros do Governo e altos dirigentes do Partido Socialista pela sua gestão do banco central, e já o tinha sido durante o primeiro mandato, apesar de ter sido nomeado pelo Governo de José Sócrates. Não tendo tido a oportunidade de fazer a sua escolha para governador do Banco de Portugal, o Governo acabou por escolher duas personalidades próximas dos socialistas para os dois cargos de vice-governador: Luís Máximo dos Santos e Elisa Ferreira.

Caso Elisa Ferreira seja a escolhida de Portugal para a Comissão Europeia, o colega de universidade do primeiro-ministro pode ganhar força como sucessor de Carlos Costa.

Luís Máximo dos Santos é vice-governador do Banco de Portugal desde 2017, mas está no banco central desde 1992, onde trabalhou em vários processos de insolvência de bancos portugueses e do qual é agora o representante no Fundo de Resolução. Máximo dos Santos é considerado próximo do primeiro-ministro, António Costa, de quem foi colega no curso de Direito em Lisboa e chegou a ser presidente do conselho de administração do BES entre 2014 e 2016, depois de determinada a resolução do banco até então liderado por Ricardo Salgado.

Mas o caminho pode não ser assim tão simples para Máximo dos Santos. A principal razão pode vir a ser aquele que em teoria faria a indicação do nome para governador do Banco de Portugal, o ministro das Finanças. Mário Centeno confidenciou várias vezes que a sua intenção passava por não fazer um segundo mandato enquanto ministro das Finanças, mas António Costa tem conseguido segurá-lo e até o incluiu nas listas do partido às legislativas.

António Costa tentou fazer mais como garantir antecipadamente a extensão do seu mandato enquanto presidente do Eurogrupo, que só termina no próximo ano, mas não conseguiu, nem deverá ter sucesso neste campo quando chegar a altura. O insucesso recente na corrida à liderança do Fundo Monetário Internacional limitou ainda mais as hipóteses de Mário Centeno, que até teria boas hipóteses de ser comissário europeu para os Assuntos Económicos (uma pasta negociada para os socialistas), mas António Costa não o quer deixar sair antes das eleições legislativas, que se realizam a 6 de outubro, e o comissário português tem de ser escolhido no máximo até dia 26 de agosto.

Mário Centeno é quadro do Banco de Portugal desde 2000 e foi consultor da administração a partir de 2014, pouco depois de ver o seu nome chumbado no concurso para diretor do gabinete de estudos do banco central. Próximo de Vítor Escária, ex-assessor económico de José Sócrates e António Costa, acabou por liderar a elaboração do programa económico com que António Costa criou o programa eleitoral do PS e em novembro foi nomeado ministro das Finanças. A saída do Banco de Portugal não foi pacífica. Centeno foi sempre um forte crítico de Carlos Costa e da sua governação.

Como o ECO noticiou em setembro, outro nome que estava na lista de potenciais sucessores de Carlos Costa é o de Paulo Macedo, que foi diretor do Fisco nos anos de Durão Barroso e ministro da Saúde de Pedro Passos Coelho durante o resgate da troika. Apesar de conotado com a direita, Paulo Macedo é independente e foi considerado para cargos de relevo pelo atual Governo socialista, acabando mesmo por ser nomeado já por este Executivo para a presidência da Caixa Geral de Depósitos depois da saída conturbada de António Domingues. O seu mandato na CGD terminará em fevereiro de 2021, uma vez feito o balanço do plano estratégico.

(Artigo corrigido às 11h46, para precisar que o mandato de Paulo Macedo em frente à Caixa Geral de Depósitos terminará em fevereiro de 2012)

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