Wall Street abre no vermelho com dados económicos negativos e guerra comercial

A Bolsa de Nova Iorque abriu novamente no vermelho, com a incerteza sobre as negociações entre a China e os EUA a pesarem na decisão dos investidores. Novos dados reforçam pessimismo na Alemanha.

A Bolsa de Nova Iorque abriu esta quarta-feira no vermelho, com os principais índices pressionados pelos receios em torno da resolução da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, as notícias de que algumas farmacêuticas norte-americanas envolvidas na distribuição de opioides podem abrir falência e de dados económicos negativos que antecipam um maior abrandamento na maior economia europeia.

O índice industrial Dow Jones perdia 0,25% quando as negociações se iniciaram, o índice alargado S&P 500 também desvalorizava 0,23% e o índice tecnológico Nasdaq perdia 0,33%.

Os avanços e recuos da administração norte-americana e do regime chinês relativamente à disputa comercial têm testado os nervos dos investidores e levado a variações bruscas nas intenções de compra e venda nos principais índices nova-iorquinos.

Mas as notícias negativas vão muito além da incerteza em torno da guerra comercial entre os dois maiores blocos do mundo. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson decidiu encerrar o Parlamento durante várias semanas para tentar evitar que os deputados apresentem legislação que impeça que a saída do Reino Unido da União Europeia possa acontecer sem um acordo.

Na Alemanha, dados económicos publicados esta amanhã apontam para que o consumo esteja a abrandar, tornando ainda mais negras as perspetivas da economia alemã no curto prazo.

Na China, os principais índices nas Bolsas de Shenzen e de Shangai também reagiram, de forma negativa, às notícias contraditórias sobre se os Estados Unidos e a China se vão ou não sentar à mesa para negociar um acordo comercial.

Destaque ainda para as notícias que dão conta que algumas farmacêuticas norte-americanas, produtoras de opioides, poderão abrir falência, no âmbito de uma decisão inédita que responsabilizou a Johnson & Johnson pela crise de opioides que afeta o Estado do Oklahoma.

Na terça-feira ao final do dia, os investidores tiveram ainda outra má notícia. A curva de rendimentos — que caracteriza as taxas de juro exigidas pelos investidores pela dívida publica norte-americana nos diferentes prazos — não só continua invertida, ou seja os juros estão mais elevados na dívida de curto prazo do que na dívida de longo prazo, como esta tendência está a acentuar-se, tendo atingido o seu pior nível desde 2007, mesmo antes da crise financeira.

Este indicador é visto como um sinal de que uma recessão poderá estar no horizonte. Nos últimos 50 anos, sempre que a economia norte-americana entrou em recessão, esta foi antecedida por uma inversão da curva de rendimentos. Só por uma vez esta curva inverteu sem a economia entrar em recessão, mas nessa ocasião a economia abrandou de forma significativa.

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