Indicador que antecipa recessão nos EUA agrava-se e os investidores tremem

O agravamento dos juros de curto prazo face aos de longo prazo da dívida norte-americana antecipou todas as recessões nos últimos 50 anos. Esta terça-feira, atingiu níveis que não se viam desde 2007.

A inversão da curva de rendimentos dos Estados Unidos, que tem colocado os juros a pagar pela dívida a dois anos em níveis superiores à da dívida a 30 anos, está a agravar-se e a aumentar os receios dos investidores que uma recessão pode estar a chegar. Nos últimos 50 anos, sempre que houve uma recessão esta inversão aconteceu.

Normalmente, os juros exigidos para comprar dívida de curto prazo são menores que pela dívida a longo prazo, o que reflete o risco mais elevado de emprestar dinheiro a um prazo mais longo.

No entanto, quando os receios quanto à situação económica no curto prazo aumentam, os juros também sobem com esse sentimento. Nos Estados Unidos, a inversão da curva de rendimentos tem sido um dos indicadores que permitem antecipar uma recessão ou um abrandamento económico. Nos últimos 50 anos, sempre que houve uma recessão, a curva de rendimentos sofreu esta inversão e só por uma vez a curva inverteu sem a economia entrar em recessão.

Esta terça-feira, a dimensão desta inversão agravou-se, atingindo níveis que não se viam desde 2007, o ano que antecedeu a queda do Lehman Brothers e a recessão que se viria a sentir no mundo desenvolvido e em algumas economias emergentes.

O pessimismo atingiu os mercados e os ganhos iniciais, ainda que moderados, que se verificam nos principais índices da Bolsa de Nova Iorque acabariam por desaparecer.

Apesar de ser um sinal de que os próximos tempos podem não ser fáceis, desta vez há fatores que influenciam os juros da dívida de mais longo prazo que não existiam em 2007, como é o caso do quantitative easing. As compras de dívida feitas pela Reserva Federal focaram-se essencialmente na dívida de mais longo prazo, dando uma liquidez adicional ao mercado e assim permitindo baixar os juros nestas obrigações.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Indicador que antecipa recessão nos EUA agrava-se e os investidores tremem

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião