Elisa Ferreira deverá ficar com pasta dos fundos europeus na nova Comissão Europeia

Fundo da Coesão, fundos para o ambiente e fundos regionais estarão os três sob a sua alçada, segundo informações que a própria terá partilhado, apurou o ECO.

A futura presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai anunciar formalmente terça-feira a sua equipa e respetivas pastas. Elisa Ferreira deverá ficar com parte dos fundos europeus, num novo executivo que não terá exatamente as mesmas pastas.

Fundo da Coesão, fundos para o ambiente e fundos regionais (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) estarão os três sob a sua alçada, segundo informações que a própria terá partilhado, apurou o ECO. Mas, em Bruxelas, os rumores não param. Há apenas a certeza de que ainda nada está completamente fechado, até porque Ursula von der Leyen ainda vai ter de ouvir esta sexta-feira o comissário proposto por Itália, o antigo primeiro-ministro Paolo Gentiloni.

A pasta da Concorrência, por exemplo, era dada, na manhã de quinta-feira, à comissária indigitada por França, Sylvie Goulard, mas à tarde já era possivelmente atribuída a Gentiloni.

Quanto a Elisa Ferreira várias fontes a dão como certa na pasta dos fundos europeus. Uma hipótese “mais redutora” seria ficar com a direção geral dos assuntos regionais, que comporta o Fundo de Coesão e os fundos regionais, ou seja, os fundos que alimentam o Portugal 2020 (de fora ficam os fundos para a agricultura e pescas que cabem às respetivas pastas). Na prática, isto significaria que Elisa Ferreira iria substituir a romena Corina Cretu que ocupa a pasta do Desenvolvimento Regional.

A pasta dos fundos europeus reveste-se de alguma importância agora que está em negociação o novo quadro financeiro global. Apesar de não ter voz ativa nos montantes a atribuir a cada Estado-membro (em cima da mesa está um corte de 15% do Fundo de Coesão para Portugal), num primeiro momento cabe à comissária ajudar a definir as percentagens de comparticipação dos fundos — num projeto de 100 euros, 85 são assegurados pela Comissão e o resto pelo promotor nacional, por exemplo –, mas também os vários Acordos de Parceria, que no caso português vão determinar as regras de funcionamento do Portugal 2030. Mas a partir daí, a gestão é entregue aos Estados membros e o poder da comissária só volta a fazer-se sentir em momentos de reprogramação dos quadros comunitários de apoio.

Uma hipótese mais “generosa” aponta para a possibilidade de um portefólio mais abrangente, que lhe daria a supervisão de outros fundos europeus, nomeadamente na área do digital.

Diferente é a pasta do Orçamento, que define anualmente os montantes que a União pode gastar. Tudo parece indicar que será o austríaco Johannes Hahn a ocupar este cargo. O deputado do PPE na anterior Comissão ficou com a pasta do alargamento e da política de vizinhança, transitado da Política Regional.

Elisa Ferreira, que vai suceder a Carlos Moedas, foi ainda apontada como uma possível comissária do Ambiente.

No final do encontro com o primeiro-ministro no final de agosto, Elisa Ferreira não quis responder se já tinha conhecimento de qual a pasta que iria ocupar, mas mostrou-se disponível para aplicar todas as suas competências ao serviço dos cidadãos europeus. “Pretendo ser útil”, explicou, lembrando a vasta experiência que acumulou em diversas áreas, como desenvolvimento regional, ambiente, banca ou macroeconomia, estando, por isso, disponível para se ajustar à escolha da presidente. A vice-governadora do Banco de Portugal frisou ainda que as tutelas não são estanques e que há muitos dossiers de interesse que atravessam vários gabinetes.

Elisa Ferreira receberá na próxima terça-feira de manhã uma carta de missão de Ursula von der Leyen, tal como todos os comissários indigitados, onde lhe serão explanadas as funções atribuídas, para os próximos cinco anos, e o trabalho que a presidente da Comissão Europeia espera que venha a desenvolver. A conferência de imprensa na qual será revelada a distribuição das pastas será ao meio dia (hora de Bruxelas).

Portugal indicou à presidente eleita que queria uma pasta económica, olhando para pastas mais importantes no Executivo europeu. No entanto, houve muitos outros países que fizeram o mesmo pedido, entre eles países com mais peso na União Europeia, como é o caso de Itália e França.

Na terça-feira, quando Ursula von der Leyen anunciar o elenco da sua futura Comissão, as pastas não deverão ter a mesma configuração que têm na atual Comissão. Cada presidente adapta as pastas e as competências atribuídas a cada comissário consoante a sua própria agenda e também o perfil de cada um dos candidatos, uma vez que são os países quem indicam os nomes que querem ver na Comissão Europeia (havendo ainda assim espaço a alguma negociação).

Além disso, durante a negociação que resultou na nomeação de Ursula von der Leyen para presidente da Comissão Europeia já foram garantidos alguns lugares. A pasta dos Assuntos Económicos vai ser atribuída a um socialista. O alto representante para política externa da União terá uma pasta reforçada com a ajuda humanitária e ao desenvolvimento em África.

Estas mudanças levarão a um esforço de reorganização das direções-gerais que servem os comissários. A forma como Ursula von der Leyen desenhar o que pretende para os seus vice-presidentes poderá levar a uma organização diferente na forma de funcionamento da Comissão Europeia.

Acresce que na próxima Comissão existirão apenas 27 comissários. O Reino Unido, caso se mantenha o plano de sair a 31 de outubro, não terá um comissário, o que faz com que a pasta que estava atribuída ao comissário britânico — atualmente a pasta da União da Segurança está nas mãos do britânico Julian King — tenha de ser distribuída de outra forma. Também a pasta dos Serviços Financeiros deverá ser separada da pasta do Euro, ambas pastas pesadas que estão nas mãos de Valdis Dombrovskis desde o referendo do Brexit.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Elisa Ferreira deverá ficar com pasta dos fundos europeus na nova Comissão Europeia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião