Ana Paula Serra fica com pelouro da supervisão prudencial no Banco de Portugal

A administradora do Banco de Portugal, Ana Paula Serra, vai ficar com o pelouro da supervisão prudencial que, até agora, está nas mãos de Elisa Ferreira.

Ana Paula Serra vai assumir o pelouro da supervisão bancária prudencial que está, até agora, nas mãos de Elisa Ferreira, a vice-governadora do Banco de Portugal que vai ser comissária europeia. A escolha de Carlos Costa está feita, mas falta a aprovação desta redistribuição de pastas em conselho de administração do Banco de Portugal, que só ocorrerá quando se efetivar a saída de Elisa Ferreira, apurou o ECO.

Oficialmente, o Banco de Portugal não faz comentários. Esta sexta-feira, o ECO Insider — a newsletter semanal do ECO exclusiva para assinantes — antecipou a notícia, aguardada com expectativa pelo setor bancário. A escolha do governador Carlos Costa surpreendeu os banqueiros. E a primeira reação foi, no mínimo, de reserva. Uma justificação para esta surpresa será a inexperiência de Ana Paula Serra na supervisão bancária. Mas é preciso acrescentar que o regime de incompatibilidades tornaria quase inevitável a escolha de Ana Paula Serra dentro do conselho de administração, ou uma mudança de pelouros mais profunda. Luís Máximo dos Santos, por exemplo, é vice-governador e presidente do Fundo de Resolução, enquanto Hélder Rosalino, administrador, gere as reservas do Banco de Portugal.

Nomeada administrador do Banco de Portugal em setembro de 2017, Ana Paula Serra é licenciada em Economia, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, completou MBA pelo Instituto Superior de Estudos Empresariais da Universidade do Porto, e é doutorada em Finanças (Financial Economics) pela London Business School. Foi nomeada Administradora em setembro de 2017.

Atualmente, Ana Paula Serra tem a seu cargo, no Banco de Portugal, o Departamento de Gestão e Desenvolvimento de Recursos Humanos, o Departamento de Estatística, a contabilidade e controlo e a gestão de risco.

As mudanças no Banco de Portugal não vão ficar por aqui. Terá de haver a substituição de Elisa Ferreira e, por outro lado, o administrador Hélder Rosalino termina em setembro do seu mandato de cinco anos. Só que a realização das eleições, e a exigência de uma prestação de contas de novos administradores no Parlamento obriga a um compasso de espera, para depois da tomada de posse do Governo na sequência dos resultados eleitorais. Em julho de 2020, acaba o mandato do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e a grande interrogação é saber qual será o seu sucessor. A aposta mais forte é a do ministro Mário Centeno, mas o vice-governador, Máximo dos Santos, é também uma hipótese forte.

 

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Ana Paula Serra fica com pelouro da supervisão prudencial no Banco de Portugal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião