Huawei admite “dar” 5G à concorrência para pôr fim às dúvidas

Se ainda restam dúvidas quanto à segurança da tecnologia chinesa do 5G, a Huawei não fecha a porta a "dar" a tecnologia à concorrência ocidental. Palavra do fundador.

Ren Zhengfei, histórico fundador da Huawei.EPA/JEAN-CHRISTOPHE BOTT

A Huawei está disposta a tomar as medidas que forem precisas para acabar com a especulação em torno da segurança da tecnologia que produz. Mesmo que isso implique dar a joia da coroa à concorrência.

Em duas entrevistas publicadas esta semana, o histórico fundador da marca, Ren Zhengfei, aproveitou para abrir uma porta que nunca tinha sido aberta: licenciar as patentes da tecnologia 5G da Huawei a terceiros para acelerar os concorrentes ocidentais e tentar acabar com os receios de que a empresa seja um veículo de espionagem ao serviço do regime chinês, como tem sido acusada pelos EUA.

A Huawei está aberta a partilhar as suas tecnologias e técnicas de 5G com empresas dos EUA, para que elas possam construir a sua própria indústria de 5G. Isso criaria uma situação mais equilibrada entre a China, os EUA e a Europa”, disse Ren Zhengfei, em entrevistas individuais ao The New York Times e à The Economist.

A Huawei está aberta a partilhar as suas tecnologias e técnicas de 5G com empresas dos EUA, para que elas possam construir a sua própria indústria de 5G.

Ren Zhengfei

Estas eventuais licenças dariam “acesso perpétuo” à tecnologia que foi desenvolvida pela companhia, ao mesmo tempo que permitiria que terceiros fizessem todas as alterações que vissem como necessárias para reforçar a segurança dos equipamentos e softwares.

Mas há uma condição: “Para isto acontecer, os EUA vão ter de nos aceitar até um determinado nível”, afirmou Ren Zhengfei, referindo-se aos bloqueios que foram impostos pela Administração Trump e que impedem o acesso da Huawei à tecnologia fornecida pelos parceiros norte-americanos, como a Google, que fornece o sistema operativo Android.

A proposta poderá ser tentadora para os EUA, na medida em que a China — nomeadamente através da Huawei — tem sido vista como estando na frente da corrida ao 5G. Trata-se da quinta geração de rede móvel, que desbloqueará velocidades ultrarrápidas de acesso à internet, permitindo o funcionamento de novas tecnologias como os carros autónomos e o controlo de máquinas industriais em tempo real à distância.

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