Políticos são bem pagos? PS tem proposta para três legislaturas. “É uma solução para o dia de São Nunca à tarde”, diz PCP

No debate a seis, os líderes que concorrem às legislativas de 6 de outubro falaram sobre a reforma do sistema político e os salários de quem está na política.

Os políticos ganham mal em Portugal? Esta foi uma das questões no debate a seis que as rádios TSF, Antena 1 e Renascença estão a transmitir. A 18 dias da ida às urnas, os líderes partidários consideram que há um problema geral de salários em Portugal e o PS tem uma proposta para resolver a questão “em três legislaturas”.

“Os salários em Portugal são baixos e há tantos outros primeiro para termos de nos dedicar”, diz Catarina Martins, a coordenadora do Bloco de Esquerda. “As pessoas que estão na atividade política têm de estar por convicção”, afirmou, salientando valorizar mais o alargamento do período de nojo entre a passagem da atividade política e o regresso à vida profissional privada.

Ainda à esquerda, o PCP diz que “não é linear” que políticos bem pagos sejam melhores e Jerónimo de Sousa nota que, por vezes, é “chamado de parvo” por manter o salário de metalúrgico, a sua posição de origem. Rui Rio, do PSD, interrompeu para afirmar que “o problema é que há pessoas que só trabalharam na política e nem têm salário que permitisse estabelecer esse valor”.

Jerónimo de Sousa acrescenta que “em Portugal se trabalha empobrecendo”, mostrando assim uma preocupação com a evolução dos salários ao nível mais transversal na economia portuguesa.

António Costa do PS avança com uma proposta concreta para resolver a questão dos salários dos políticos. “Todo o país tem um problema de vencimentos”, disse o líder do PS, acrescentando que o país faria mal “em preocupar-se com o aumento dos salários dos políticos” num quadro em que os restantes não subam.

Ainda assim, o PS avança com uma proposta para resolver a questão “em três legislaturas”, através da criação de uma comissão de vencimentos com ex-Presidentes da República, antigos presidentes do Tribunal de Contas e outros. Esta comissão de vencimentos “fixaria uma tabela de vencimentos” que entraria em vigor na legislatura seguinte. Uma solução para o “dia de São Nunca à Tarde”, atalhou Jerónimo.

Já para o PAN, “os salários em Portugal — todos — são baixos”. “Somos favoráveis ao descongelamento dos 5%”, disse André Silva. Durante a troika, os salários dos políticos tiveram um corte de 5% — à imagem do que aconteceu para outras profissões. Este corte é o único que ainda não foi devolvido.

Assunção Cristas, do CDS, desvalorizou a questão dos salários dos políticos e acrescentou que o que afasta as pessoas de entrar para a atividade política não são tanto os salários, mas mais “a degradação constante do trabalho político”.

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