Bloomberg: Vistos gold estão a empurrar portugueses para as periferias das cidades

  • ECO
  • 19 Setembro 2019

O "mercado imobiliário mais quente da Europa" está a ficar demasiado quente para alguns. O destaque para Portugal é da Bloomberg, que refere que os vistos gold estão a provocar gentrificação.

O boom do mercado imobiliário em Portugal está em destaque na Bloomberg (acesso condicionado) esta quinta-feira, com a agência financeira a destacar que o país mantém ativo o programa dos vistos gold, apesar de a subida das rendas para habitação estar a “expulsar” alguns moradores dos centros urbanos. Um fenómeno conhecido por gentrificação.

Mais concretamente, o artigo ‘O mercado imobiliário mais quente da Europa está a ficar demasiado quente para alguns’ faz foco na freguesia de Marvila, concelho de Lisboa. Uma moradora, citada pela agência, refere que “os preços dispararam” nos últimos meses, o que a levou a ter de se mudar e a ir viver com a mãe, por já não conseguir pagar uma renda sozinha. Além disso, de acordo com dados compilados pelo Eurostat, os preços do imobiliário para habitação em Portugal subiram 9,2% só no primeiro trimestre deste ano.

A Bloomberg justifica a dinâmica crescente do mercado imobiliário português com os 4,3 mil milhões de euros injetados por investidores estrangeiros desde que os “vistos dourados” começaram a ser atribuídos em 2012. Uma medida que o Governo se recusou a eliminar, devido à necessidade de o país atrair mais investimento do exterior. Os vistos gold permitem a cidadãos estrangeiros obterem autorização de residência mediante um investimento mínimo de 500 mil euros.

Tiago Caiado Guerreiro, fiscalista português, disse à agência que “estes incentivos tornaram cidades como Lisboa num íman” para o investimento externo. Imóveis foram reabilitados e colocados no mercado do arrendamento de curta duração, através de plataformas como o Airbnb, tornando estes centros num “destino turístico” apetecível.

“Lisboa nunca esteve melhor em termos de reabilitação dos seus edifícios. O número de prédios devolutos tem sido reduzido e alguma da miséria que existia em certos bairros já não é visível. No entanto, esta mudança teve enormes custos sociais à medida que os locais com menos recursos financeiros estão a ser empurrados para as periferias”, explicou à Bloomberg Francisco Bethencourt, professor do King’s College, em Londres.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bloomberg: Vistos gold estão a empurrar portugueses para as periferias das cidades

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião