Vendas de casas recuam. “Há proprietários a vender cobre ao preço do ouro”, alerta APEMIP

O presidente da APEMIP pede aos proprietários para serem mais realistas, referindo que até mesmo os estrangeiros estão mais "cautelosos" na hora de comprar uma casa em Portugal.

Os preços das casas continuaram a subir no segundo trimestre mas, em contrapartida, venderam-se menos casas. Para o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) este cenário já era expectável, dado que há poucas casas disponíveis, e as que existem estão a preços que as famílias não podem suportar. Para Luís Lima, até mesmo os investidores estrangeiros já pensam duas vezes antes de adquirir uma casa em Portugal ao preço que muitos dos proprietários estão a pedir.

As casas ficaram 10% mais caras, entre abril e junho deste ano, face ao mesmo período do ano passado, mostraram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Contudo, as vendas de casas baixaram 6,6%, sendo esta a primeira descida homóloga desde 2012.

“Este ligeiro arrefecimento não é uma surpresa, aliás, já o tinha anunciado na altura, e deve-se sobretudo à diminuição do stock disponível. Há poucas casas no mercado e muitas das que existem não correspondem às necessidades e possibilidades das famílias portuguesas“, diz o presidente da APEMIP, em comunicado.

Alertando para a necessidade de um reajuste dos preços, Luís Lima afirma mesmo que “há muitos proprietários que têm à venda cobre ao preço do ouro, convencidos de que tudo se vende, mas não é bem assim”. E os potenciais compradores, inclusive os estrangeiros, “começam a ser mais cautelosos e a pensar duas vezes antes de avançar com o negócio”.

Neste sentido, o representante das imobiliárias apela a “algum realismo” e a um ajuste dos preços à realidade do mercado e do ativo que se tem em carteira.

Sobre a falta de casas no mercado, Luís Lima acrescenta que “é cada vez mais gritante a necessidade de introduzir stock novo, dirigido para as classes média e média-baixa”, pois “só assim se poderá aliviar preços e dar resposta às necessidades da procura”. “E não adianta dizer que há muitas casas vazias se estas se localizam onde não há procura”, remata o especialista.

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