Guerra acionista na Novabase. IBIM2 questiona plano estratégico

O acionista minoritário da Novabase IBIM2 está contra o plano estratégico e a conversão de reservas em capital que a tecnológica propôs. Acusa os gestores de irem contra os interesses acionistas.

O acionista minoritário da Novabase, IBIM2, está contra as mudanças que a empresa está a preparar e quer travá-la na assembleia geral extraordinária de acionistas que está marcada para 26 de setembro. Numa carta enviada aos restantes acionistas, a que o ECO teve acesso, a empresa do ramo de gestão de ativos IBIM2 critica o que diz ser a falta de “alinhamento” entre os interesses da gestão e dos acionistas.

Cremos que a falta de representatividade do conselho de administração proporcional à dispersão das ações da Novabase é especialmente crítica no momento atual“, começa por dizer o acionista, que entrou na tecnológica em 2011 e tem detém atualmente 10,5% do capital. Refere-se ao facto de a gestão ser conduzida por acionistas ligados à fundação da empresa e que representam 40,1% do capital.

Diz que o momento é crítico porque considera que a cotação da ação da Novabase na bolsa de Lisboa apresenta uma “clara subvalorização” em comparação com as tecnológicas europeias, mas principalmente por causa do plano estratégico.

“A Novabase vai pôr em marcha um Plano Estratégico, anunciado no passado dia 25 de julho, sem detalhar medidas concretas do ponto de vista de negócio e, sujeito às deliberações que forem aprovadas na assembleia geral extraordinária, autorizando a distribuição de ações representativas do capital social aos seus administradores e colaboradores (Pontos 5 e 6 da Ordem do Dia) e propondo a nomeação de outro diretor como administrador da empresa (Ponto 7 da Ordem do Dia).

Dividendos mais limitados

O plano estratégico prevê uma série de alterações que pretendem “garantir flexibilidade para otimizar a alocação dos recursos financeiros disponíveis”, na perspetiva da Novabase. Propõe o uso de reservas e resultados transitados no valor de 11,3 milhões de euros para pagar dividendos extraordinários correspondentes a 36 cêntimos por ação.

Ao mesmo que pretende avançar com a distribuição de reservas, a Novabase vai mexer no seu capital social. Vai realizar uma redução de capital em 4.396.195,16 euros, com a atribuição aos acionistas de 0,14 euros por ação. Ou seja, no total, os acionistas vão receber 50 cêntimos por cada ação.

Segue-se um aumento de capital por incorporação de reservas no montante de 43.333.923,72 euros, levando o capital social da Novabase para 54.638.425,56 euros. As ações passam a ter um valor nominal de 1,74 euros, sendo que a parte do capital que está dispersa em bolsa está a cotar no PSI Geral a valer 2,81 euros.

A razão para a IBIM2 estar contra é porque a transferência das reservas para capital social levam a que “a sua posterior distribuição fica limitada aos casos permitidos por lei e sujeita a aprovar a sua eventual distribuição se se mantivessem estes fundos como reservas”. Ou seja, o acionista acredita que a sua remuneração fica comprometida dando mais poder à administração.

Demasiados administradores

Além da questão da remuneração acionista, o acionista critica ainda o número de administradores, sendo que os gestores querem ver votada a inclusão de um novo membro do conselho para incluir Paulo Trigo, responsável operacional pelo Next-Gen.

“Apesar da considerável redução do volume de faturação da Novabase após o desinvestimento da sua divisão de IMS (Infrastructures & Managed Services), em 2017, o número de membros do management integrados no Conselho de Administração (e, consequentemente, o seu custo) não fez mais que aumentar”, aponta, na carta.

Assim, o problema de agência da Novabase aumenta após ano, não existindo um alinhamento dos interesses da gestão com os interesses dos acionistas globalmente considerados“, acrescenta.

Apesar de a IBIM2 criticar o número de administradores, propõe um novo administrador. O acionista minoritário já tinha anunciado o pedido de inclusão na ordem de trabalhos da AG de um ponto para que se votasse José Sancho García como novo membro do Conselho de Administração.

O ECO questionou a Novabase sobre a carta enviada pela IBIM2 e a abertura da administração para rever o plano estratégico face às críticas apresentadas, mas a tecnológica recusou fazer qualquer comentário.

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