OPA da Cofina à Media Capital. Estes são os grandes números da operação

Com o apoio do empresário Mário Ferreira e o banco Abanca, a dona do Correio da Manhã está próxima de fechar a compra da dona da TVI. A operação foi lançada este sábado no mercado.

O negócio de compra da Media Capital pela Cofina está mais próximo de ficar fechado. O grupo que detém o Correio da Manhã lançou este sábado o anúncio preliminar da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das ações da dona da TVI, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Para a operação — que conta com o empresário Mário Ferreira e o banco Abanca como novos parceiros — se concretize, há cinco condições principais que têm de estar cumpridas. Estes são os grandes números do negócio:

2,1322

A dona do Correio da Manhã propõem-se pagar 2,3336 euros por cada ação da dona da TVI que não é controlada pela Prisa e 2,1322 euros pelas mais de 80 milhões de ações que estão nas mãos do grupo espanhol.

255 milhões

Assim, a oferta global ascende a 180 milhões de euros. A Cofina vai ainda assumir a dívida da dona da TVI de 75 milhões de euros. Incluindo este montante de dívida (enterprise value), a operação de compra da Media Capital envolve cerca de 255 milhões de euros, como o ECO tinha avançado em primeira mão.

2,48

A 17 de setembro, a CMVM suspendeu a negociação das ações da Cofina e da Media Capital, à espera de novidades sobre as “conversações intensas” que anteciparam o anúncio da OPA. Antes desta suspensão, cada ação do grupo que detém a TVI valia 2,48 euros na bolsa de Lisboa.

170,6 milhões

Agora, a Prisa aceitou vender “a totalidade da participação que tem na sua filial Vertix” que, por sua vez, detém 94,69% da Media Capital. Nesta OPA, a avaliação da empresa em 255 milhões de euros “pressupõe um preço de 170.635.808,30 euros pela participação indireta da Prisa na Media Capital”.

76,4 milhões

Segundo as contas da Prisa, este montante traduz-se numa “perda contabilística estimada nas contas consolidadas da Prisa de 76,4 milhões de euros e nas contas individuais da Prisa de aproximadamente 77,4 milhões de euros”, refere o mesmo comunicado ao mercado.

50%

O sucesso do negócio aguarda por luz verdade da autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) mas também dos acionistas da Prisa. Mas depende também de um aumento de capital bem-sucedido na Cofina: o financiamento está assegurado através de crédito bancário já aprovado e da realização de um aumento de capital.

Excluindo a percentagem do capital em free-float, o aumento de capital está garantido em mais de 50% pelos atuais acionistas de referência, sendo, no entanto, possível que entrem novos investidores com posições qualificadas, como admitiu a Cofina.

270 milhões

A Cofina faturou 89,9 milhões de euros em 2018, dos quais mais de 12 milhões na CMTV e 76 milhões no segmento de imprensa, enquanto a Media Capital registou uma faturação de 181 milhões de euros, dos quais 151 milhões de euros da TVI. Face aos resultados de 2018, o novo grupo conjunto terá uma faturação acumulada superior a 270 milhões de euros.

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